G7 em Evian: Ucrânia, Médio Oriente e IA no tabuleiro diplomático de 2026
No G7 em Evian, líderes debatem Ucrânia, Médio Oriente, IA e relações com a China; figuras da tech participam da sessão sobre proteção de menores.
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G7 em Evian: Ucrânia, Médio Oriente e IA no tabuleiro diplomático de 2026
Por Marco Severini — Com o foco voltado para a crise no Médio Oriente e o anunciado acordo entre EUA e Irã que, segundo o presidente norte-americano Donald Trump, poderia levar à reabertura do Estreito de Hormuz, Evian — a histórica estância termal nas Alpes onde em 1962 foram assinados os acordos que puseram fim à guerra da Argélia — prepara-se para receber o G7. O encontro começa oficialmente na noite de segunda-feira, com um jantar inaugural destinado a mapear os grandes temas da semana.
Estão confirmados os líderes dos sete países membros — França, EUA, Reino Unido, Canadá, Itália, Alemanha e Japão — e foram convidados, a título de parceria, chefes de Estado ou Governo do Brasil, Egito, Índia, Quênia e Coreia do Sul. A sequência de sessões projetadas traduz um desenho claro: cinco blocos temáticos que procuram alinhar respostas coletivas às tensões geopolíticas e às transformações tecnológicas.
O calendário prevê uma sessão dedicada à Ucrânia, com a presença do presidente Volodymyr Zelensky, seguida por debates centrados no Médio Oriente e no Golfo. Outra sessão concentrará atenções nos parcerias internacionais, e uma quarta será dedicada à crescimento económico equilibrado, sustentável e partilhado. A última, na quarta-feira, focar-se-á em Inteligência Artificial (IA) — ponto onde diplomacia, segurança e mercado se encontram.
Para a sessão sobre IA foram convidados protagonistas do ecossistema tecnológico: Sam Altman (cofundador e ex-CEO da OpenAI), Dario Amodei (fundador da Anthropic) e Arthur Mensch (Mistral AI). Estes líderes empresariais serão ouvidos em particular sobre a proteção de crianças e adolescentes no espaço digital, um tema que a presidência francesa colocará entre as prioridades, ao lado do combate ao narcotráfico e da promoção de um crescimento global mais justo.
Do ponto de vista francês, Emmanuel Macron pretende dar um novo ímpeto às relações com Pequim, enquanto o debate económico colocará a China num lugar central. A premissa é clara: gerir a interdependência com robustez, sem colapsar para polos irreconciliáveis — um movimento de xadrez geoeconômico onde cada abertura é calculada para preservar a estabilidade dos alicerces diplomáticos.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, marca presença em todas as sessões, defendendo sobretudo a unidade do Ocidente e a resolução eficaz das crises internacionais que afetam também a Itália. Fontes italianas sublinham que um eventual acordo entre EUA e Teerã teria impacto global, aliviando pressões que hoje se fazem sentir em diversos mercados e rotas comerciais.
Para Roma, as prioridades incluem manter uma narrativa contínua sobre temas transversais — desde a questão migratória, abordada pelo terceiro ano consecutivo, até o papel ativo em Líbano, preferivelmente em coordenação com parceiros. Em termos estratégicos, o G7 em Evian representa uma tentativa de redesenhar, sem ruído, as fronteiras invisíveis de influência e segurança: um exercício de cartografia diplomática onde decisões discretas podem alterar a tectônica de poder global.
O encontro encerra na quarta-feira com a conferência de imprensa de Macron, quando os movimentos definidos no tabuleiro serão apresentados ao público. Até lá, Evian será palco de um diálogo entre tradição e vanguarda — arquitetura clássica de negociações que tenta conciliar interesses nacionais com a urgência das crises contemporâneas.