Gates admite erro: encontro com Epstein foi 'grave erro de julgamento' em depoimento ao Congresso

Gates admite que encontrar Epstein foi um erro de julgamento e detalha em depoimento ao Congresso tentativas de exploração de suas infidelidades.

Gates admite erro: encontro com Epstein foi 'grave erro de julgamento' em depoimento ao Congresso

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Gates admite erro: encontro com Epstein foi 'grave erro de julgamento' em depoimento ao Congresso

Bill Gates declarou, em depoimento a portas fechadas ao Congresso dos Estados Unidos, que seu encontro com o falecido financista Jeffrey Epstein constituiu um "grave erro de julgamento". No texto de abertura de sua intervenção, obtido pela CNN, Gates afirmou não ter conhecimento das dimensões criminosas atribuídas a Epstein e ressaltou que nunca participou de atos ilícitos relacionados ao investigado.

O ex-chefe da Microsoft descreveu suas interações com Epstein como limitadas e firmou que os contatos cessaram definitivamente em dezembro de 2014. Segundo Gates, foi apresentado a Epstein em 2011, quando o financista teria se oferecido para arrecadar bilhões de dólares para suas iniciativas de saúde global. "Lembro-me de saber dos antecedentes penais de Epstein, mas não compreendia plenamente a extensão dos crimes cometidos", disse o bilionário, admitindo ter aceitado a presença de Epstein sem realizar as checagens que seriam devidas.

Na linha tensa entre vida privada e interesse público, Gates negou ter visitado a famosa ilha associada a Epstein, seu rancho ou sua casa na Flórida: "Não estive em sua ilha, em seu rancho ou em sua casa na Flórida". Reafirmou ainda: "Eu não fiz mal a ninguém" e que, embora Epstein tenha tentado cultivar uma relação pessoal, Gates jamais reciprocou esse interesse.

O depoimento lembra um episódio-chave do passado jurídico de Epstein: o acordo de 2008, quando o financiador obteve um plea deal que previa 18 meses de prisão e registro como molestador sexual por crimes ligados à prostituição de menores. Em regime especial de semiliberdade, Epstein cumpriu cerca de 13 meses de detenção. Documentos desses processos voltam agora a compor o mapa que redesenha as fronteiras invisíveis do poder e da impunidade.

De forma particularmente constrangedora, Gates relatou que Epstein tentou explorar suas relações extraconjugais — "minhas infidelidades conjugais", nas palavras do depoente — e outras inverdades para pressioná-lo a retomar contato. Em paralelo, um funcionário de Gates buscou a intermediação de Epstein para negociar termos de separação com o escritório privado do bilionário; Epstein, apesar de não ter alterado o resultado final dos acordos, envolveu-se em trocas de e-mails, ligações e reuniões com membros da equipe.

"Foi só depois que soube que Epstein se apropriou de informações reservadas sobre minha vida privada", explicou Gates, frisando que tais relações extraconiugais foram dolorosas para sua família, mas não tiveram relação com os laços profissionais ou institucionais que mantinha com Epstein.

Do ponto de vista estratégico, este depoimento é um movimento decisivo no tabuleiro da reputação pública e da responsabilidade de atores filantrópicos no cenário global. As alegações e confissões — contidas agora em um depoimento fechado ao Congresso — abrem uma fresta para avaliar os alicerces frágeis da diplomacia privada entre capital e saúde pública, e questionar como redes de influência foram arquitetadas ao redor de figuras com passados criminais documentados.

Marco Severini, Espresso Italia — análise e cartografia das dinâmicas de poder.