Gaza: ultimato para o desarme de Hamas expira; Israel prepara ampla operação militar

Ultimato para o desarme do Hamas expira; Israel prepara ampla operação militar em Gaza enquanto diplomacia corre contra o relógio.

Gaza: ultimato para o desarme de Hamas expira; Israel prepara ampla operação militar

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Gaza: ultimato para o desarme de Hamas expira; Israel prepara ampla operação militar

Por Marco Severini — A frágil tregua em Gaza corre risco de ruir. Com o prazo final para o desarme do Hamas prestes a expirar, fontes próximas ao gabinete de Benjamin Netanyahu indicam que as Forças de Defesa de Israel (IDF) estão a preparar uma grande operação militar na Faixa de Gaza, caso o grupo armado não cumpra, de forma «satisfatória», os termos exigidos internacionalmente.

Relatos do jornal Israel Hayom e declarações vinculadas a representantes diplomáticos apontam que a escalada pode ser desencadeada pelo não atendimento à condição norte-americana para o desmantelamento das estruturas armadas palestinas. O chamado Board of Peace lançou um plano de oito meses que prevê um cessar-fogo sustentado, o desmantelamento dos túneis e a criação de uma nova governança civil em Gaza. Em troca da manutenção da calma, exige-se o desarmamento total das facções.

O documento, apoiado por Washington e por Tel Aviv, impõe um prazo de 60 dias para que o Hamas entregue as armas ou as negociações deem lugar a outra realidade no terreno. Fontes diplomáticas afirmam que o movimento já recusou entregar os arsenais a uma entidade administrativa terceira, comprometendo a implementação do plano. Essa recusa, somada à pressão diplomática em declínio, reduz os alicerces da trégua.

Nickolay Mladenov, diretor do Board of Peace, rumará à Turquia para tentar obter uma resposta formal do Hamas — um movimento que pode ser o último œuvre diplomático antes de uma decisão mais firme. Diplomatas consultados por esta coluna afirmam que o tempo disponível agora é medido em dias, sinal de que a tensão está em um ponto crítico e de que a janela para solução política se estreita rapidamente.

Internamente, vozes do governo israelense reforçam a possibilidade de retorno às armas. O secretário Yossi Fuchs reiterou o ultimato: 60 dias para o desarme, sob pena de «retorno à guerra» na Faixa. Ao mesmo tempo, declarações do ministro que mencionou a presença persistente de Israel em áreas vizinhas (Síria, Líbano, Cisjordânia) apontam para um redesenho de influência regional — uma tectônica de poder que não se resolve apenas no terreno militar, mas também na arquitetura política pós-conflito.

Como analista com leitura estratégica, enxergo este momento como um «movimento decisivo no tabuleiro»: a combinação de prazos, pressões externas e recusa do adversário cria uma configuração em que o custo político do não cumprimento se torna intolerável para Tel Aviv. Resta saber se a diplomacia conseguirá, nas próximas 72 horas, evitar um novo capítulo de hostilidades ou se a Faixa de Gaza voltará a ver operações amplas que redesenharão, mais uma vez, fronteiras invisíveis de poder.

Enquanto isso, a comunidade internacional observa com cautela; e a frágil paz em Gaza paira sobre alicerces cada vez mais frágeis.