Tempestade sobre Kiev: ataque com mais de 670 drones e 56 mísseis marca nova escalada russa
Ataque russo a Kiev: mais de 670 drones e 56 mísseis deixam mortos e feridos; UE anuncia pacote de 6 bilhões para drones.
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Tempestade sobre Kiev: ataque com mais de 670 drones e 56 mísseis marca nova escalada russa
Quarenta e oito horas após o cessar-fogo anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump, a Rússia desencadeou um dos mais intensos bombardeios das últimas semanas contra a Ucrânia. Na noite entre quarta e quinta-feira, foram lançados mais de 670 drones e 56 mísseis, segundo o presidente Volodymyr Zelensky.
As autoridades locais contabilizam, até o momento, pelo menos nove mortos — entre eles uma menina de 12 anos — e um recém-nascido, além de 45 feridos. O balanço ainda pode ser atualizado conforme equipes de resgate avaliem áreas residenciais atingidas.
Em mensagem nas redes sociais, Zelensky exigiu uma “resposta justa” da comunidade internacional. O apelo ocorreu no mesmo dia em que, em Pequim, o presidente chinês Xi Jinping recebeu Trump. Um alto funcionário da presidência ucraniana relatou à AFP que, com os ataques, Vladimir Putin teria buscado enviar “uma demonstração” simultaneamente a Xi e a Trump — um movimento que, na linguagem do poder, soa como um lance calculado no tabuleiro diplomático.
Paralelamente, o Kremlin confirmou que o presidente russo prepara uma visita à China. O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que “os últimos retoques foram concluídos e a viagem acontecerá em breve”, com datas a serem anunciadas.
O Ministério da Defesa russo definiu a operação como um “ataque massivo”, afirmando ter empregado também mísseis hipersônicos Kinzhal, lançados a partir de aeronaves. Moscou declarou que os alvos foram “empresas do setor militar-industrial, aeroportos militares e infraestruturas de combustível e transporte” utilizadas pelas forças ucranianas. Contrapondo essa versão, o prefeito de Kiev, Vitaliy Klitschko, relatou danos a prédios residenciais e comerciais e incêndios decorrentes das explosões.
Fontes ucranianas indicam que um drone atingiu um bloco de nove andares, provocando a destruição parcial do edifício. Além disso, Zelensky informou que, na região de Kherson, um veículo da ONU dedicado ao coordenação humanitária foi atacado duas vezes por drones; havia nove pessoas a bordo, sem feridos.
Em resposta, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, denunciou “mais uma noite de morte e destruição” e o “alvo indiscriminado de civis” por parte de Moscou. Von der Leyen anunciou ainda que a União Europeia está finalizando um pacote de apoio para drones no valor de 6 bilhões de euros, como parte do fortalecimento da assistência à Ucrânia.
Por sua vez, o Kremlin reiterou a rejeição à União Europeia como mediadora para encerrar o conflito, afirmando que, até agora, os Estados Unidos são o único mediador aceitável. Esse retrocesso revela os alicerces frágeis da diplomacia em um momento em que se redesenha, de forma invisível, a tectônica de poder entre grandes atores.
Como analista de geopolítica, vejo neste episódio tanto uma demonstração de capacidades militares — incluindo o uso de Kinzhal — quanto um gesto estratégico antes de encontros diplomáticos de alto nível. Trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro, cuja consequência imediata é a intensificação do sofrimento civil e o aprofundamento das divisões entre potências que pretendem se posicionar como árbitros ou aliados.