Novos ataques no sul do Líbano pese a cessar‑fogo; Trump e a pista de Khamenei
Novos ataques de drones no sul do Líbano desafiam o cessar‑fogo; críticas israelenses e advertências de Hezbollah aumentam risco de escalada. Trump e Irã em segundo plano.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Novos ataques no sul do Líbano pese a cessar‑fogo; Trump e a pista de Khamenei
Por Marco Severini — A tensão no Levante permanece como um tabuleiro com peças deslocando‑se em ritmo imprevisível. Apesar do anúncio de um cessar‑fogo mediado em Washington, fontes locais e agências regionais registram uma sequência de incidentes no sul do Líbano que indicam fraturas nos alicerces da trégua.
A agência estatal libanesa NNA relata que vários ataques atribuídos a drones israelenses atingiram pontos rodoviários e veículos no distrito de Nabatiye. Um carro foi atingido ao longo da estrada Zifta‑Kafrouh e outro míssil guiado por aeronave não tripulada teria atingido um entroncamento em Kfar Tebnit. Há ainda menções a um terceiro ataque ao longo de outra estrada no sul, enquanto equipes de proteção civil na área de Tiro pedem cautela aos deslocados: o retorno às aldeias do sul deve aguardar anúncios oficiais que atestem condições seguras.
O ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, criticou com severidade o acordo — que descreveu como um "grave erro" — argumentando que Hezbollah não teria deixado a faixa a sul do rio Litani e que o exército libanês não disporia de ferramentas para forçar um afastamento. Em publicações nas redes, Ben Gvir acusou o Estado libanês de intimidade com o movimento xiita, citando a presença de representantes do grupo no governo e familiares nas forças armadas; previsivelmente, advertiu que a tolerância à existência de Hezbollah apenas fortaleceria o adversário.
Fontes como Al‑Jazeera Arabic também reportaram um ataque de drone que atingiu um veículo entre Kfar Kila e Zefta. No terreno da retórica, um alto responsável de Hezbollah, segundo o Jerusalem Post e em entrevista ao jornal qatariano Al Araby, ameaçou retaliar caso o Exército de Defesa de Israel renovasse ataques contra Beirute. Mahmoud Kamati definiu a relação entre Dahiyeh (o subúrbio sul de Beirute associado a Hezbollah) e os assentamentos do norte de Israel como uma "equação" que não seria aceita como troca simples; em suas palavras, a campanha segue em curso e o horizonte permanece aberto.
Paralelamente, o Wall Street Journal noticiou que o presidente Donald Trump teria dito a colaboradores, em tom privado, que consideraria pôr fim a uma trégua de facto com o Irã caso tropas americanas fossem mortas — uma cláusula de escalada que mantém o risco latente, mesmo com a suspensão temporária dos ataques aéreos. A própria vigência do cessar‑fogo, embora real, convive com episódios episódicos de violência e com narrativas públicas que testam sua resistência.
Em suma, o teatro atual no sul libanês não é apenas de confrontos físicos, mas de manobras políticas: cada ataque de drone, cada declaração pública, funciona como um movimento no tabuleiro que redesenha linhas de poder invisíveis entre Beirute, Tel Aviv e os centros de decisão de Washington e Teerã. A estabilidade passa por decisões de alta estratégia — e, por ora, por pilares diplomáticos que soam frágeis diante da tectônica de influência regional.