Irã condiciona trégua ao fim dos ataques no Líbano; região vive nova escalada
Irã exige fim dos ataques no Líbano como condição para trégua; novos ataques contra Israel, mortes e tensão regional aumentam.
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Irã condiciona trégua ao fim dos ataques no Líbano; região vive nova escalada
Irã colocou como condição para uma trégua — no quadro das negociações que visam encerrar o conflito regional — a interrupção dos ataques israelenses no Líbano, segundo informou a agência estatal Tasnim. Entre as cinco exigências apresentadas ontem, Teerã incluiu a "conclusão da guerra em todos os frontes e de todos os grupos de resistência envolvidos na região"; nos contatos com mediadores, o Irã voltou a enfatizar, em termos inequívocos, a necessidade do fim das hostilidades no Líbano.
Na manhã de hoje, foram lançados sete ataques distintos contra alvos em Israel, provocando o acionamento de sirenes em Tel Aviv, no centro do país e no norte. Os relatos indicam, até o momento, muita destruição material; no centro de Israel registraram-se sete feridos sem gravidade. Uma menina de 11 anos sofreu um ataque cardíaco ao correr para um abrigo e permanece em estado grave.
O movimento Hezbollah assumiu responsabilidade por incursões em Tel Aviv, incluindo ataques contra o quartel-general do Ministério da Defesa e uma instalação de inteligência militar ao norte da capital, que teriam sido atingidos por mísseis de precisão, segundo reportagem do L'Orient-Le Jour. A reivindicação de ações por atores não estatais concatena-se com ataques atribuídos a redes alinhadas ao Irã, ampliando o mosaico de atores e frentes do conflito.
Veículos da imprensa israelense noticiaram que, durante a madrugada, foi morto em Bandar Abbas o comandante da Marinha dos guardiões da revolução — os pasdaran —, Ali Reza Tangsiri, oficial apontado como responsável por operações na região estreita do Golfo e pela capacidade de fechar o Estreito de Hormuz. Até agora não houve confirmações oficiais nem de Tel Aviv nem de Teerã.
Enquanto isso, a denominada Resistência Islâmica Iraquiana — uma coalizão de grupos pró-Irã — afirmou ter realizado 595 ataques a alvos norte-americanos em solo iraquiano desde o início da guerra, conforme comunicado citado pela emissora Rudaw; nas últimas 24 horas teriam ocorrido 23 desses ataques.
No front diplomático, o ministro da Defesa britânico, John Healey, afirmou à BBC que existe um "eixo de agressão" entre Rússia e Irã, sustentado por compartilhamento de informações e treinamentos antes da atual conflagração, e que haveria uma "mão oculta de Putin" operando na região. Trata-se de uma leitura estratégica que liga capacidades externas à autonomia operacional de atores regionais.
O Exército de Defesa de Israel anunciou a morte do soldado Ori Greenberg, 21 anos, sargento‑maior da Unidade de Reconhecimento da Brigada Golani, durante um confronto com milicianos do Hezbollah no sul do Líbano. É o terceiro militar israelense a cair desde a retomada da ofensiva terrestre contra posições de Hezbollah.
Adicionalmente, autoridades de Abu Dhabi relataram duas mortes e três feridos em Sweihan Street, causados por estilhaços de um míssil balístico interceptado, com danos a diversos veículos, segundo apuração do Gulf News.
Do ponto de vista estratégico, assistimos a um deslocamento tectônico de poder: as demandas do Irã sobre o fim dos ataques no Líbano funcionam como um movimento no tabuleiro — destinado a consolidar linhas de defesa política e militar —, enquanto a multiplicação de ataques, mortes de comandantes e alegações de apoio externo redesenham fronteiras invisíveis de influência. A situação continua volátil; as peças seguem se movendo em múltiplos tabuleiros, e qualquer novo episódio pode alterar profundamente a dinâmica regional.