Irã e EUA buscam trégua de 45 dias em mediação regional, diz Axios

EUA e Irã negociam trégua de 45 dias com mediação regional; mediadores discutem Hormuz, urânio e garantias para evitar nova escalada.

Irã e EUA buscam trégua de 45 dias em mediação regional, diz Axios

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Irã e EUA buscam trégua de 45 dias em mediação regional, diz Axios

Por Marco Severini — Em um movimento que pode ser lido como um lance calculado no grande tabuleiro geopolítico, Estados Unidos e Irã estariam trabalhando, com o auxílio de mediadores regionais, para um acordo de trégua de 45 dias que tenha por objetivo conduzir a uma solução mais duradoura ao confronto. A informação foi divulgada pelo site Axios, que cita fontes estadunidenses, israelenses e regionais a par das conversações.

Fontes consultadas pelo veículo ressaltam que é improvável que um acordo parcial seja fechado nas próximas 48 horas; ainda assim, este esforço de última hora é visto pelos mediadores como a única alternativa plausível para evitar uma escalada dramática, com ataques massivos a infraestruturas civis iranianas e subsequentes represálias de Teerã contra alvos energéticos e de abastecimento hídrico nos países do Golfo.

Segundo as mesmas fontes, um plano operacional para uma campanha de bombardeios de largo alcance, potencialmente conduzida em conjunto por forças israelenses e americanas, já estaria pronto. A extensão do prazo — atribuída ao governo Trump nas negociações — teria o propósito de abrir uma janela final para se testar a viabilidade de um acordo antes de desencadear essa opção militar.

O processo negocial estaria a cargo de mediadores do Paquistão, do Egito e da Turquia, complementado por trocas diretas de mensagens de texto entre o enviado do ex-presidente Trump, Steve Witkoff, e o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi. Uma autoridade norte-americana afirmou que Washington apresentou várias propostas nos últimos dias, ainda não aceitas por Teerã.

As cartas iranianas mais valiosas nessa negociação são, segundo as fontes, a reabertura plena do Estreito de Hormuz e uma solução para o urânio altamente enriquecido do Irã — seja por sua remoção do território iraniano, seja por medidas de diluição. Os mediadores trabalham agora em medidas de construção de confiança que permitam passos parciais e verificáveis nessas áreas durante a primeira fase de um eventual acordo.

Da mesma forma, os intermediários buscam garantias de que qualquer cessar-fogo não seja meramente temporário. Entre as preocupações iranianas destacadas está o receio de repetir padrões observados em Gaza e no Líbano, onde cessar-fogos «no papel» não impediram posteriores ataques unilaterais. Por isso, os mediadores propõem contrapartidas e mecanismos verificáveis que deem sustentação institucional e técnica ao acordo.

O cenário traçado por estas informações revela a fragilidade dos alicerces diplomáticos atuais e o delicado redesenho de fronteiras invisíveis na região — uma verdadeira tectônica de poder onde cada passo exige garantias e verificações mútuas. A Casa Branca optou por não comentar oficialmente a reportagem.

Em suma, o esforço de mediação é uma tentativa de evitar um movimento decisivo no tabuleiro que poderia reconfigurar dramaticamente o equilíbrio regional. Resta saber se as partes aceitarão, por ora, trocar algumas peças por promessas verificáveis, ou se a crise seguirá para fases mais perigosas.