Flotilla Global Sumud: 175 ativistas desembarcam em Creta; dois serão levados a Israel para interrogatório

Ativistas da Global Sumud desembarcam em Creta; 175 detidos, dois serão levados a Israel para interrogatório. Implicações diplomáticas e regionais.

Flotilla Global Sumud: 175 ativistas desembarcam em Creta; dois serão levados a Israel para interrogatório

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Flotilla Global Sumud: 175 ativistas desembarcam em Creta; dois serão levados a Israel para interrogatório

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, por ora discretamente, linhas de influência no Mediterrâneo, cerca de 175 ativistas da Global Sumud Flotilla para Gaza desembarcaram no sudeste da ilha de Creta, após terem sido interceptados por forças israelenses em águas internacionais durante a noite entre quarta e quinta-feira, confirmou um jornalista da AFP no local.

Escortados pela Guarda Costeira grega, os ocupantes das embarcações subiram em quatro ônibus com destino não divulgado pelas autoridades locais. O Ministério das Relações Exteriores de Israel informou, em comunicado, que dois dos ativistas serão conduzidos a Israel para interrogatório: Saif Abu Keshek, apontado como "suspeito de afiliação a uma organização terrorista", e Thiago Ávila, descrito como "suspeito de atividades ilegais". Na mesma nota, o ministério agradeceu ao governo grego pela aceitação do desembarque dos demais participantes em solo helênico.

A flotilha, que zarpou no início do mês de diversas costas europeias com a intenção declarada de romper o bloqueio naval imposto por Israel à faixa de Gaza, teve diversas embarcações bloqueadas pela Marinha israelense quando navegavam em águas internacionais próximas a Creta. Segundo relatos dos próprios ativistas, a operação começou na noite de quarta-feira, quando lanchas militares — identificando-se como israelenses — teriam se aproximado apontando lasers e armas de assalto, e ordenado que os ocupantes se deslocassem à proa e se ajoelhassem com as mãos no solo.

No total, foram interceptadas 22 embarcações e detidos 175 ativistas, entre os quais 23 cidadãos italianos. Inicialmente Tel Aviv afirmou que os detidos seriam transferidos para Israel, mas o ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa'ar, indicou posteriormente que, em coordenação com Atenas, as pessoas transferidas para a embarcação israelense seriam desembarcadas em uma praia grega nas horas seguintes.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu adotou tom desdenhoso: “Foram repelidos e retornarão aos seus países de origem. Continuarão a ver Gaza no YouTube”, disse, numa declaração que busca domesticar a narrativa para públicos domésticos e aliados.

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da Grécia pediu moderação e respeito ao direito internacional. A nota oficial ressaltou que Atenas — que se apresenta como fator de estabilização regional — exortou Israel a retirar suas embarcações da área e ofereceu assistência diplomática, incluindo a recepção das tripulações em território grego e facilitação de seu repatriamento. Autoridades gregas enviaram uma delegação ao ponto de desembarque para coordenar procedimentos com outros serviços consulares.

Esta operação representa um movimento decisivo no tabuleiro do Mediterrâneo: enquanto Israel procura preservar o controle marítimo e deter ações que desafiem seu bloqueio, a resposta grega e a gestão do desembarque visam conter uma escalada e preservar os alicerces frágeis da diplomacia regional. A tensão segue, com implicações humanitárias, legais e de poder — e com vários jogos de influência a se desenrolar nas próximas horas.