Kiev sob fogo: ataque russo com mísseis e drones deixa dezenas de feridos e infraestrutura atingida
Novo ataque russo sobre Kiev com mísseis e drones deixa feridos, danos em Zaporizhzhia e investigação por crime de guerra em andamento.
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Kiev sob fogo: ataque russo com mísseis e drones deixa dezenas de feridos e infraestrutura atingida
Por Marco Severini — Em novo movimento da tectônica de poder no leste europeu, a capitão Kiev voltou a ser alvo de um bombardeio noturno coordenado. As Forças Armadas ucranianas e agências locais reportaram que, durante a noite, o território ucraniano sofreu o impacto de pelo menos 12 mísseis russos — entre eles seis balísticos (identificados como Iskander M/S-400 na comunicação inicial), quatro do tipo Kh-59/69 lançados por aeronaves e dois míssseis antirradar Kh-31 — e um assalto aéreo por drones composto por ao menos 121 drones, dos quais 111 foram abatidos pelo sistema de defesa antiaérea.
Segundo reportagem da Ukrainska Pravda citando o comando da aviação ucraniana, todos os seis mísseis balísticos provocaram explosões em solo, enquanto os dois antirradar perderam-se sem vestígios conhecidos. O presidente Volodymyr Zelensky elevou o balanço de feridos na capital de 10 para 11 pessoas, confirmando a continuidade do padrão de ataque a centros urbanos.
Na região oriental de Zaporizhzhia, um ataque russo na tarde anterior teve saldo agravado: o governador Ivan Fedorov informou via Telegram que o número de feridos que precisam de atendimento subiu para 29 e que já há um óbito confirmado. A Procuradoria regional abriu investigação por crime de guerra relacionado à morte.
Os serviços de emergência, citados pela Ukrinform, reportaram que ao menos dez pessoas — entre elas uma criança — ficaram feridas nos ataques noturnos em Kiev. É a terceira vez, em sete dias, que a capital sofre ataques direcionados, com explosões e incêndios registrados nos bairros de Solomiansk, Darnytski e Dniprovsk.
No bairro de Solomiansk, um prédio de três andares utilizado como escritórios e depósito foi atingido, gerando incêndio posteriormente controlado. A onda de choque danificou uma locomotiva ferroviária em outra área. Em Darnytsk, um impacto incendiou a sala de controle elétrica dos semáforos, enquanto, em Dniprovsk, uma explosão provocou fogo em um armazém e estilhaçou vidraças de prédios residenciais próximos.
As imagens e relatos de moradores confirmam múltiplas explosões no cerne da noite, precedendo a ativação das sirenes antiaéreas. Tymur Tkachenko, chefe da administração militar de Kiev, orientou a população a buscar abrigos. O prefeito Vitali Klitschko chegou a informar um balanço provisório diferente — ao menos seis feridos, três hospitalizados — reflexo da fluidez das notificações em contexto de conflito.
Do ponto de vista estratégico, o uso crescente de mísseis balísticos, mais difíceis de interceptar, sinaliza um recrudescimento de táticas de penetração de defesa aérea. Observadores interpretam estes ataques como retaliação às incursões ucranianas por drones contra infraestruturas petrolíferas russas e o porto de Taganrog. Em termos de "tabuleiro", trata-se de um movimento que busca projetar custo e dissuasão, ao mesmo tempo que testa os alicerces frágeis da diplomacia e da defesa.
As autoridades ucranianas seguem contabilizando danos e vítimas, enquanto organismos internacionais monitoram a escalada e investigam possíveis crimes de guerra. No terreno, a população enfrenta noites de alerta e noites partidas pela incerteza, enquanto a arquitetura urbana e as linhas logísticas do país suportam o impacto desse novo ciclo de ataques.