Merz alerta: Guerra no Irã pode ter impacto na Alemanha e na Europa tão grave quanto a Covid

Merz alerta que uma guerra no Irã pode afetar Alemanha e Europa tão severamente quanto a pandemia de Covid; propostas para o Estreito de Ormuz e reconstrução da Síria.

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Merz alerta: Guerra no Irã pode ter impacto na Alemanha e na Europa tão grave quanto a Covid

Por Marco Severini — Em uma declaração de tom grave e calculado, o chanceler alemão Friedrich Merz advertiu que a escalada de um conflito envolvendo o Irã poderia impor à Alemanha e à Europa efeitos econômicos e sociais comparáveis aos vividos durante a pandemia de COVID. O pronunciamento foi feito hoje, em Berlim, durante coletiva conjunta com o presidente interino da Síria, Ahmed al-Sharaa.

Merz disse que, se o conflito se expandir para um grande confronto regional, “poderia pesar sobre a Alemanha e a Europa tanto quanto experimentamos recentemente com a pandemia de Covid ou no início da guerra na Ucrânia”. A mensagem traduz uma inquietação estratégica: não se trata apenas de um episódio isolado, mas de um possível movimento decisivo no tabuleiro que redesenha linhas de vulnerabilidade econômica e de segurança.

Na prática, o chanceler mencionou impactos já perceptíveis no cotidiano alemão: a elevação dos preços dos combustíveis e da energia nas últimas semanas e a necessidade reforçada de proteção a sinagogas e comunidades judaicas no país. “Esta guerra nos toca a todos. Está entrando em nossas vidas diárias”, afirmou Merz, sublinhando que as incertezas militares e estratégicas permanecem, e que é imperativo cooperar com parceiros europeus para encontrar soluções diplomáticas. “O melhor é que esta guerra termine o quanto antes”, acrescentou.

Sobre a segurança marítima, Merz afirmou que a Alemanha estaria disposta — se forem satisfeitas as condições necessárias — a contribuir para a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Ele propôs que eventuais contribuições alemãs fossem organizadas no âmbito de um grupo de contacto internacional, para garantir coordenação eficaz entre os países interessados.

Do lado sírio, Ahmed al-Sharaa ecoou a preocupação regional. Segundo ele, “os desenvolvimentos regionais são altamente preocupantes” e, desde o fim de fevereiro, Damasco acompanha com apreensão a escalada militar. Al-Sharaa condenou com firmeza os ataques contra países árabes irmãos e as ações israelenses em território sírio, denunciando também a ocupação de novas áreas por parte de Israel.

Em outro eixo das conversações, Berlim e Damasco afirmaram que cooperam para viabilizar o retorno ao país do maior número possível de cidadãos sírios atualmente na Alemanha — onde reside a maior diáspora síria na União Europeia, com mais de um milhão de pessoas, muitas delas chegadas durante a onda migratória de 2015–2016.

Merz declarou ainda que a Alemanha deseja apoiar a reconstrução da Síria, que luta para se recuperar após uma guerra civil longa e sangrenta. Uma delegação do governo alemão deve visitar o país para avançar esse objetivo, mas o chanceler ressaltou que muitos projetos conjuntos dependerão da criação de um Estado de direito. “Após nosso encontro, estou confiante de que esse objetivo pode ser alcançado na Síria”, concluiu.

Num momento em que os alicerces da diplomacia parecem frágeis, as declarações de Berlim sinalizam uma busca por equilíbrio: dissuadir a expansão do conflito, proteger interesses vitais — energéticos e humanos — e manter abertas vias de reconstrução e reintegração regional. No grande tabuleiro da geopolítica, estas são peças movidas com cautela, conscientes de que cada passo pode redesenhar fronteiras invisíveis de influência e segurança.