Trump dá 48 horas para acordo ou 'inferno'; Teerã responde com chuva de mísseis sobre Israel e região
Trump dá 48 horas para acordo; Teerã responde com mísseis sobre Israel e Golfo. C-130 destruído, Pasdaran mortos e ataques a instalações no Bahrein.
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Trump dá 48 horas para acordo ou 'inferno'; Teerã responde com chuva de mísseis sobre Israel e região
Por Marco Severini — Em um movimento que altera a tectônica de poder do tabuleiro do Oriente Médio, o presidente norte-americano Trump emitiu um ultimato: “48 horas para o acordo ou o inferno”. A resposta de Teerã não tardou. Autoridades iranianas e meios pró-governo anunciaram uma série de ataques com mísseis e drones direcionados a alvos em Israel e em países do Golfo, incluindo relatos não confirmados sobre impactos nas proximidades do Kuwait. O episódio marca mais um capítulo na escalada que redesenha fronteiras invisíveis e testa os alicerces frágeis da diplomacia regional.
No mesmo contexto, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou a Rússia de fornecer ao Irã dados de reconhecimento — incluindo imagens de satélite — sobre a rede elétrica israelense, indicando entre 50 e 53 alvos civis. O dado, se confirmado, representa um perigoso entrelaçamento de capacidades tecnológicas e interesses geopolíticos que transforma infraestruturas civis em peças vulneráveis no tabuleiro estratégico.
Outro episódio que alimenta a narrativa bélica foi amplamente divulgado pela imprensa iraniana: a destruição de um cargueiro militar americano C-130 durante uma missão para resgatar o piloto do F-15 abatido na sexta-feira passada. A imprensa de Teerã associou a imagem do destroço à memória de Tabas (1980), quando um C-130 foi destruído na fracassada operação Eagle Claw, enfatizando a simbologia histórica do episódio. Enquanto Teerã proclama um triunfo, fontes norte-americanas sustentam que o aparelho foi dinamitado pelos próprios militares para evitar sua captura.
Em um novo episódio local, a agência estatal IRNA informou que cinco membros dos Guardas Revolucionários — os Pasdaran — morreram e um sexto ficou ferido após ataques atribuídos a forças israelenses e dos Estados Unidos na área de Moghan, na província de Ardebil, junto à fronteira com o Azerbaijão. A retórica escalou com uma mensagem do presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf: “Se os Estados Unidos obtiverem mais três vitórias como esta, estarão completamente arruinados”, postou no X, ao publicar foto do que apresentou como o destroço do avião.
No Golfo, a petrolquímica bahreinita Al-Khaleej Petrochemical Industries Company confirmou danos em várias unidades após um ataque atribuído a drones iranianos. Segundo relatos, houve incêndio controlado sem vítimas, e equipes técnicas realizam agora a avaliação dos estragos.
Por fim, o presidente libanês Joseph Aoun acusou Israel de pretender destruir o sul do Líbano como fez em Gaza e pediu negociações para encerrar o conflito que se arrasta desde 2 de março. A afirmação realça o risco de uma difusão do conflito, que transformaria pontos locais em eixos de influência com impacto sistêmico para toda a região.
Esta série de eventos configura um movimento decisivo no tabuleiro regional: atos simbólicos e militares convergem para um padrão de confrontação que, se não gerido com paralelo esforço diplomático, poderá escalar em direções imprevisíveis. A soma de acusações, acertos e retóricas demonstra que atores estatais recorrem hoje tanto à guerra de informação quanto aos instrumentos convencionais — e que cada peça perdida ou salva, como o caso do C-130, reverbera como um lance que altera a configuração estratégica para todos.