Zelensky: revogação de sanções à Rússia não favorece a paz; ataques a Kiev deixam mortos e feridos
Zelensky alerta que aliviar sanções à Rússia não favorece a paz; ataques a Kiev deixam mortos. Macron reafirma apoio da França e do G7 à manutenção das sanções.
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Zelensky: revogação de sanções à Rússia não favorece a paz; ataques a Kiev deixam mortos e feridos
Volodymyr Zelensky advertiu que a Guerra do Oriente Médio poderá ser aproveitada pela Rússia para ampliar a campanha de destruição também na Europa, com impacto direto sobre a Ucrânia. Em um pronunciamento no X, o presidente ucraniano traçou um diagnóstico nítido: é necessário reconhecer o real nível de ameaça e adaptar a defesa coletiva em consequência.
"Em toda a Europa precisamos desenvolver a produção de mísseis antiaéreos, sobretudo capazes de enfrentar ameaças balísticas, além de outros sistemas indispensáveis para proteger vidas humanas, independentemente do que ocorra noutras regiões do mundo", escreveu Zelensky, acrescentando que "a Europa é capaz de garantir esse nível de proteção confiável". A mensagem descreve, em termos quase cartográficos, a necessidade de reforçar os alicerces da defesa comum diante da tectônica de poder que se redesenha.
Na mesma noite, a região de Kiev sofreu um novo episódio de violência: ataques russos com drones e mísseis deixaram ao menos quatro pessoas mortas e outras dez feridas, segundo a agência Ukrinform. Foram relatados danos a edifícios residenciais, depósitos, estufas, veículos e outras infraestruturas civis. Três das vítimas ocorreram no distrito de Brovary, onde foram atingidos armazéns, um dormitório, uma estufa, duas casas particulares e um posto dos correios.
Autoridades locais também apontaram que, em um "ataque em massa", ao menos duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas no mesmo distrito de Brovary, conforme comunicado do chefe da administração militar regional, Mykola Kalachnyk, publicado no Telegram. Os números parcimoniosos e as descrições dos alvos reforçam a crueza do golpe e a vulnerabilidade das populações em pontos-chave do território — um movimento que, no tabuleiro geopolítico, visa tanto a destruição física quanto a erosão da resiliência civil.
Em Paris, no Eliseu, o presidente francês Emmanuel Macron recebeu Zelensky e foi categórico: a Rússia se engana se acredita que a guerra no Irã lhe concederá uma trégua. "O contexto de aumento dos preços do petróleo não pode, em hipótese alguma, nos levar a rever nossa política de sanções contra a Rússia", disse Macron, ressaltando a posição comum do G7 e da União Europeia.
No encontro, Zelensky também afirmou que a flexibilização de sanções estadunidenses sobre vendas de petróleo russo confere recursos adicionais a Moscou e "não favorece a paz". Por isso, reiterou ser fundamental manter a pressão econômica sobre a Rússia como instrumento de contenção estratégica.
Em sinal de memória e de política simbólica, os ministros das Relações Exteriores da União Europeia visitarão Bucha, a noroeste de Kiev, em 31 de março, para recordar os massacres cometidos pelos soldados russos no início da invasão em larga escala, quatro anos atrás. O gesto marca um ponto de coesão diplomática em um momento em que as fronteiras visíveis e invisíveis do conflito continuam a ser redesenhadas.
Ao término da visita ao Eliseu, Zelensky publicou no X uma nota de agradecimento à França pelo apoio contínuo à Ucrânia, afirmando que há um "coordenação substancial" sobre medidas de proteção. Em tom que mistura a frieza do analista e a responsabilidade de um estadista, a mensagem destaca que a defesa eficaz exige decisões técnicas e políticas simultâneas — um movimento decisivo no tabuleiro que governa a estabilidade europeia.


