Guterres pede retirada israelense do Golan e exige respeito à soberania da Síria

Guterres exige retirada israelense do Golan e defende a soberania da Síria, propondo apoio da ONU à transição política e justiça de transição.

Guterres pede retirada israelense do Golan e exige respeito à soberania da Síria

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Guterres pede retirada israelense do Golan e exige respeito à soberania da Síria

Por Marco Severini — Em uma visita de peso diplomático, o secretário-geral da ONU, Guterres, pediu neste sábado o fim das violações israelenses em solo sírio e reclamou apoio internacional para a transição política do país, na primeira missão sob as novas autoridades após anos de guerra civil. A declaração marca um movimento decisivo no tabuleiro diplomático do Oriente Médio.

O ministro das Relações Exteriores sírio, Asaad al-Shaibani, exigiu o retirada das forças israelenses da zona cuscinetto patrulhada pela ONU nas altitudes do Golan ocupadas por Israel. Segundo Damasco, tropas israelenses foram deslocadas para aquela faixa em 2024, depois da queda do líder de longa data, Bashar al-Assad, e passaram a efetuar ataques e incursões cada vez mais profundas em território sírio. Autoridades israelenses, por sua vez, defenderam a manutenção das tropas em uma chamada "zona de segurança" no sul sírio.

Ao discursar em coletiva, Guterres enfatizou a necessidade de respeitar integralmente a soberania, a independência, a unidade e a integridade territorial da Síria. "As violações da soberania e da integridade territorial da Síria são inaceitáveis e devem cessar. O que está acontecendo na região em torno das altitudes do Golan é totalmente inaceitável", afirmou, lembrando que as altitudes do Golan são território sírio.

Trata-se da primeira visita de um secretário-geral das Nações Unidas à Síria desde Ban Ki-moon, em 2009 — um retorno com forte carga simbólica, que sinaliza a mudança dos alicerces da diplomacia regional após anos de conflito. Guterres definiu o episódio como uma visita de solidariedade e colocou a ONU ao lado da Síria em um momento que qualificou de "crucial".

O secretário-geral reiterou que o organismo internacional está pronto a apoiar o processo de transição política sírio, incluindo esforços por justiça de transição, redação de uma constituição permanente e a realização de eleições livres e justas. A recuperação da Síria, segundo ele, não é apenas um imperativo humanitário, mas também "um investimento em desenvolvimento, paz e estabilidade regional".

Do lado sírio, Shaibani advertiu que a continuidade das ações militares israelenses e a ocupação, além da linha de 1974, representam uma ameaça direta à segurança regional. "Renovamos nosso pedido por uma posição firme da ONU que pressione por uma retirada imediata e incondicional", disse o ministro, acrescentando que a visita de Guterres demonstra o reposicionamento da Síria como um parceiro ativo nas Nações Unidas e o início de uma nova fase de cooperação para a recuperação nacional plena.

Em termos estratégicos, estamos assistindo ao redesenho de fronteiras invisíveis e à tectônica de poder que define a estabilidade regional. A visita confirma que a diplomacia multilateral busca reconstruir alicerces frágeis e evitar que confrontos localizados convertam-se em rearranjos maiores no mapa do Oriente Médio.

Enquanto as negociações e as pressões diplomáticas se desenrolam, permanece a peça central do conflito: a exigência de respeito à soberania síria e a demanda por uma solução que respeite as fronteiras e minimize novos deslocamentos e fraturas regionais.