Hantavírus a bordo da MV Hondius: evacuação médica para os Países Baixos e rota às Ilhas Canárias
Dois tripulantes da MV Hondius serão evacuados por hantavírus; navio segue para as Ilhas Canárias com apoio da OMS e autoridades de Cabo Verde.
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Hantavírus a bordo da MV Hondius: evacuação médica para os Países Baixos e rota às Ilhas Canárias
Por Marco Severini — Em um movimento que lembra um lance cauteloso em um tabuleiro de xadrez diplomático, a companhia responsável pela expedição informou que dois tripulantes gravemente enfermos serão evacuados via Capo Verde rumo aos Países Baixos, permitindo à embarcação afetada retomar a viagem em direção às Ilhas Canárias. A decisão visa conciliar necessidades médicas urgentes com a gestão de um risco sanitário de repercussão internacional.
O Ministério da Saúde da Espanha declarou que a embarcação deve chegar às Canárias em "três ou quatro dias", sem especificar, por ora, qual porto receberá o navio. Segundo as autoridades, ao atracar, passageiros e tripulação serão submetidos a exames, tratamento e, quando necessário, repatriados aos respectivos países. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou as Ilhas Canárias como "o local mais próximo com capacidade médica adequada" para responder ao incidente.
Aexpedição MV Hondius está no epicentro de um alerta sanitário internacional desde que a OMS foi informada, no sábado, da suspeita de uma doença rara — o hantavírus — associada à morte de três passageiros. Conhecido por sua transmissão via excreções de roedores — urina, fezes e saliva — o hantavírus impõe protocolos rigorosos de isolamento e investigação epidemiológica.
Após relatos de novos adoecimentos, passageiros e tripulantes foram colocados em isolamento, depois que as autoridades de Capo Verde negaram atracagem inicial. A embarcação permanece ancorada nas proximidades de Praia, capital da ilha. A operadora holandesa Oceanwide Expeditions informou que está em vias de executar uma solução: evacuar dois membros da tripulação para os Países Baixos para "cuidados médicos urgentes", além de uma terceira pessoa que teve contato íntimo com um passageiro alemão que faleceu no último sábado.
A OMS confirmou que planos de evacuação médica estão em curso e afirmou que, uma vez concluída a operação, a MV Hondius poderá retomar a rota, disse Ann Lindstrand, representante da organização em Cabo Verde. O plano da operadora prevê que o navio siga rumo ao norte, com destino às Ilhas Canárias — possivelmente Gran Canaria ou Tenerife — numa travessia estimada em três dias.
A embarcação partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril com destino a Cabo Verde, transportando 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades, informou a OMS. Uma das vítimas iniciais, uma cidadã holandesa, deixou o navio em Santa Helena e viajou a Joanesburgo, onde faleceu em 26 de abril.
Até o momento, dois casos de hantavírus foram confirmados — um entre as vítimas e outro em um passageiro britânico internado em terapia intensiva em Joanesburgo — e 35 casos suspeitos estão sendo investigados, segundo a OMS. Dentre esses, houve registros de óbitos e de pacientes em condições críticas, enquanto outros apresentam sintomas mais leves ou já evoluíram para assintomáticos.
As autoridades sanitárias buscam agora reconstruir a cadeia de transmissão e entender como o vírus chegou a bordo, já que o primeiro doente apresentou sintomas em 6 de abril. A investigação inclui a avaliação de possibilidade de transmissão humana — um fenômeno documentado em surtos anteriores apenas do hantavírus Andes — e a verificação de eventuais vetores a bordo.
Num cenário em que a "tectônica de poder" entre saúde pública, operatoria marítima e jurisdição nacional se revela sensível, a operação corrente busca estabilizar os alicerces frágeis da diplomacia sanitária: evacuar os casos graves com segurança, proteger os demais a bordo e restabelecer a rota da embarcação sem comprometer respostas médicas e epidemiológicas mais amplas.
Marco Severini — Espresso Italia