Hegseth no Congresso: dois dias de audiências sobre orçamento de US$1,5 tri e estratégia contra o Irã

Hegseth enfrenta duas audiências no Congresso sobre orçamento de US$1,5 tri, gestão do conflito com o Irã e demissões no alto comando do Pentágono.

Hegseth no Congresso: dois dias de audiências sobre orçamento de US$1,5 tri e estratégia contra o Irã

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Hegseth no Congresso: dois dias de audiências sobre orçamento de US$1,5 tri e estratégia contra o Irã

Por Marco Severini — O secretário do Pentágono, Pete Hegseth, enfrenta um verdadeiro teste de resistência institucional: será ouvido em duas sessões consecutivas no Congresso para explicar a peça orçamentária de cerca de US$1,5 trilhão destinada às forças armadas e responder às críticas sobre a gestão das tensões com o Irã e a recente reestruturação dos altos comandos militares.

O calendário é claro e implacável, como um movimento decisivo no tabuleiro. Amanhã Hegseth comparece perante a Comissão de Serviços Armados da Câmara, em uma convocação que não havia sido amplamente anunciada. Na quinta-feira, será a vez da comissão equivalente no Senado, tradicionalmente o cenário mais delicado para um secretário de Defesa — sobretudo quando a confiança dos senadores republicanos começa a mostrar fissuras.

Relatos do The Hill e do Wall Street Journal amplificaram o diagnóstico: há vozes no Congresso que pedem que Hegseth "se afaste". Segundo essas reportagens, cresceu a desconfiança também entre figuras da administração, com mensagens internas apontando para dificuldades na forma como foram tratadas informações sobre a guerra no Irã e, em específico, sobre o desgaste dos estoques de sistemas de mísseis.

Senadores republicanos, falando anonimamente, afirmaram que, se o presidente reapresentasse hoje sua indicação, Hegseth poderia não ser confirmado. A razão não é apenas política, mas funcional: preocupações sobre um quadro de comando conturbado e uma burocracia do Pentágono submetida a rupturas internas.

As demissões e substituições recentes alimentaram o ceticismo. O afastamento do chefe do Estado-Maior do Exército, Randy George, e o desfecho envolvendo o secretário da Marinha, John Phelan, surpreenderam e frustraram líderes militares e legisladores que valorizam continuidade e expertise técnica. O confronto em curso com o secretário do Exército, Dan Driscoll, adiciona uma nova aresta a um cenário já volátil.

Para senadores como Thom Tillis, o problema central não é retórico, mas administrativo: Hegseth, ex-oficial da Guarda Nacional de Minnesota, comandou pequenos contingentes enquanto sua nova função exige a liderança de estruturas vastas e complexas. Tillis chegou a traçar um paralelo com a saída da ex-secretária de Segurança Interna, ressaltando que lacunas de experiência em posições de topo podem gerar crises de governabilidade.

Do ponto de vista estratégico, o episódio revela algo além de uma batalha por cadeiras: o realinhamento interno do Pentágono reflete uma tectônica de poder em que Washington reavalia não apenas quem comanda, mas como se tomam decisões sobre guerra, contenção e recursos. O Pentágono, por meio do porta-voz Sean Parnell, evitou comentar diretamente as críticas, limitando-se a afirmar que Hegseth não faz comentários públicos sobre saídas de pessoal.

Nestas 48 horas de audiências, o que está em jogo é mais do que a sobrevivência política de um titular. Trata-se da estabilidade dos alicerces da diplomacia e da defesa americana, e de como o Executivo pretende articular, sobre o tabuleiro internacional, a alavancagem militar e a credibilidade perante aliados e adversários.