Irã ataca Israel e Estados do Golfo às vésperas do ultimato de Trump
Irã amplia ataques com mísseis e drones contra Israel e Estados do Golfo, enquanto expira ultimato de Trump para reabrir o Estreito de Hormuz.
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Irã ataca Israel e Estados do Golfo às vésperas do ultimato de Trump
Às vésperas do vencimento do ultimato de Trump — o prazo de 48 horas para um acordo ou para a reabertura do Estreito de Hormuz, sob a ameaça de “desencadear o inferno” — o Irã ampliou sua campanha militar contra o Golfo e Israel. Durante a noite, registraram-se intensificados lançamentos de mísseis e ataques com drones direcionados ao Estado hebreu, ao Kuwait e aos Emirados Árabes Unidos.
O governo do Kuwait informou que os ataques iranianos causaram danos severos a duas centrais elétricas e a um planta de dessalinização, além de atingirem o complexo ministerial da capital, provocando prejuízos materiais sem registro imediato de vítimas. As autoridades iranianas, por meio da agência Fars, haviam anunciado que retaliariam infraestruturas hídricas e energéticas de Israel e dos Estados do Golfo, em resposta a ataques israelo‑americanos contra um complexo petroquímico na zona econômica especial de Mahshahr, no sudoeste do país. Segundo Teerã, os ataques anteriores a três fábricas naquela área resultaram em cinco mortos e 170 feridos.
O Kuwait, que abriga instalações militares americanas, passou a figurar como alvo frequente nesta nova fase do conflito. Ataques quase diários de drones e mísseis miram, entre outros pontos sensíveis, o aeroporto internacional e acampamentos das forças armadas. Nas primeiras horas do domingo, o sistema de defesa de Israel soou novamente diante de um novo lançamento de mísseis, enquanto autoridades do Bahrein e dos Emirados também reportaram ataques.
Em comunicado reproduzido pela agência oficial IRNA, o Exército iraniano afirmou ter direcionado golpes a sítios militares no Kuwait e à indústria de alumínio nos Emirados Árabes Unidos, setor apontado por Teerã como produtor de componentes utilizados em aeronaves, mísseis e veículos blindados empregados pelos Estados Unidos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou ontem que o ultimato instaurado em 26 de março permanece em vigor, com a exigência de reabertura do Estreito de Hormuz e a advertência de ataques contra usinas elétricas iranianas. Em uma nova postagem, Trump também afirmou que muitos oficiais militares iranianos de alta patente teriam sido mortos em um “ataque massivo a Teerã”, sem fornecer detalhes adicionais.
No plano doméstico, Teerã anunciou que o porto de Bilqan (B1), em Karaj, o maior do país, será reconstruído em breve. O diretor da sociedade responsável por obras e infraestrutura declarou que a ponte destruída por um bombardeio americano — essencial para o tráfego de cerca de 17 províncias noroeste em direção a Teerã — será reerguida como símbolo das capacidades e da vontade popular, um fundamento que, segundo o pronunciamento oficial, "não pode ser bombardeado".
Paralelamente, o país enfrenta um blackout de internet recorde: o corte dura 37 dias consecutivos, equivalentes a 864 horas, conforme monitoramento da NetBlocks. Essa desconexão amplia a opacidade das informações e reforça o caráter assimétrico da disputa entre controle territorial, infraestrutura e comunicação.
Na leitura estratégica, trata‑se de um movimento decisivo no tabuleiro regional: o Irã combina pressão militar sobre pólos de infraestrutura com mensagens políticas destinadas a redesenhar linhas de influência no Golfo. Os alicerces da diplomacia mostram‑se frágeis diante dessa tectônica de poder, onde cada ataque é tanto um ato de força concreta quanto uma jogada para alterar a perceção de custos e riscos entre atores estatais. Resta aos mediadores internacionais evitar que o confronto evolua para um redesenho de fronteiras invisíveis, com consequências imprevisíveis para a estabilidade global.