Irã e EUA próximos a um acordo mediado pelo Paquistão, diz fontes

Negociações Iran-EUA avançam com mediação do Paquistão; Asim Munir pode anunciar texto final em Teerã enquanto Trump reafirma veto à arma nuclear.

Irã e EUA próximos a um acordo mediado pelo Paquistão, diz fontes

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Irã e EUA próximos a um acordo mediado pelo Paquistão, diz fontes

Por Marco Severini — Em um movimento que pode redesenhar linhas invisíveis no tabuleiro do Oriente Médio, negociações entre Irã e Estados Unidos amadurecem sob a mediação do Paquistão. Fontes citadas por Al-Arabiya e Al-Hadath indicam que o chefe do Estado‑Maior do Exército paquistanês, Asim Munir, pode viajar a Teerã já amanhã para anunciar a versão final de um texto de entendimento entre as partes.

Segundo as fontes, estão em curso trabalhos para finalizar o texto de um acordo entre Washington e Teerã, com a intenção de transformar um memorando de entendimento num arcabouço — um verdadeiro architrave — que permita negociações mais amplas. A emissora israelense I24 relata avanços práticos, ainda que ressalte que persistem distâncias em pontos sensíveis do dossier.

Em paralelo, o presidente Donald Trump voltou a sublinhar uma linha vermelha estratégica: o “predomínio americano e do hemisfério ocidental não devem ser ameaçados”. Falando a cadetes da Guarda Costeira dos EUA, Trump afirmou que não permitirá que o Irã possua arma nuclear e enfatizou o amplo apoio doméstico à sua posição. “Eles querem fazer um acordo com grande urgência. Veremos o que acontecerá”, disse, acrescentando que os Estados Unidos já “atingiram com força” o país e poderiam fazê‑lo novamente, se necessário.

As conversações formam‑se, na prática, por uma troca de mensagens mediada por Paquistão, centrada em um documento de 14 pontos apresentado por Teerã, conforme informou o porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores à agência Fars. A presença em Teerã do ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, visa precisamente facilitar esse diálogo à distância.

Fontes indicam também que um novo round de negociações entre Irã e Estados Unidos pode ocorrer em Islamabad após o Hajj — o peregrinar à Meca — marcado entre 25 e 30 de maio. Trata‑se de um calendário que impõe pausas rituais, mas também janelas diplomáticas quando os atores regionais realinham priores e urgências.

No plano regional, a tensão permanece. Abu Dhabi solicitou a Bagdá que impeça “imediatamente” novos ataques provenientes do seu território, depois que, nos últimos dias, uma central nuclear dos Emirados foi atingida por um drone que, segundo os emiratinos, teria sido lançado do Iraque. O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados pediu que o Iraque detenha, de forma urgente e sem condições, qualquer ato hostil originado em seu solo.

O quadro que emerge é o de um delicado redesenho das tectônicas de poder no Oriente Médio: ao mesmo tempo em que se busca um mecanismo de entendimento entre Teerã e Washington, subsistem vetores de crise que exigem gestão fina e previsível. Em termos estratégicos, a mediação do Paquistão funciona como uma tentativa de mover uma peça decisiva no tabuleiro sem alterar os alicerces do equilíbrio regional — tarefa que exigirá tempo, garantias verificáveis e paciência diplomática.

As próximas horas e os deslocamentos anunciados, sobretudo do general Asim Munir e de autoridades paquistanesas, serão indicativos claros se estamos diante de uma assinatura iminente do memorando ou de mais um compasso tenso entre páginas de um roteiro que permanece, por ora, incompleto.