Irã exige garantias para encerrar conflito; Trump fala em destruir capacidades ofensivas remanescentes

Irã aceita discutir fim da guerra, mas exige garantias; Trump quer eliminar capacidades ofensivas e Netanyahu mantém postura intransigente.

Irã exige garantias para encerrar conflito; Trump fala em destruir capacidades ofensivas remanescentes

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Irã exige garantias para encerrar conflito; Trump fala em destruir capacidades ofensivas remanescentes

Por Marco Severini — A menos de um mês do início das operações militares entre Estados Unidos, Israel e o Irã, o cenário para uma resolução segura permanece frágil. Em contato telefônico com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que Teerã tem a "vontade necessária de por fim ao conflito", mas condicionou qualquer cessar-fogo a garantias robustas que impeçam a repetição da agressão.

O quadro revela uma diplomacia em camadas: por um lado, a declaração presidencial iraniana sugere uma abertura tática; por outro, o ministro das Relações Exteriores, Araghchi, negou a existência de negociações formais com Washington, embora tenha confirmado ter recebido mensagens «diretamente de Witkoff». Essa ambivalência traduz-se numa diferença entre sinais políticos e canais discretos de comunicação — movimentos típicos em um tabuleiro onde cada peça tenta preservar espaço estratégico.

Enquanto isso, o ex-presidente Donald Trump insiste que conversações estão "progredindo bem", mas não abdica de uma postura ofensiva. Em entrevista ao New York Post, afirmou que "não falta muito" para uma solução, ao mesmo tempo em que reiterou a necessidade de "eliminar qualquer capacidade ofensiva remanescente" do Irã. A retórica de Trump oscila entre prometer encerramento e manter pressão para assegurar objetivos militares — um cálculo que preserva alavancas de poder na mesa de negociação.

Outro nó geopolítico evidente é o bloqueio temporário do estreito de Hormuz, que tensionou mercados e rotas energéticas. Trump, em tom oscilante, afirmou que a passagem se reabrirá automaticamente porque, segundo ele, os ataques dos EUA teriam "obliterado o país". Ao mesmo tempo, aventou a hipótese de responsabilizar «países que usam o estreito» para reabri-lo, numa linguagem que mistura chantagem diplomática e transferência de custos operacionais.

Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu adota postura intransigente: "A campanha não terminou", disse, reiterando o propósito de "esmagar o regime terrorista" em Teerã e de reforçar zonas de segurança. A posição de Tel Aviv restringe possibilidades de compromisso, pois exclui as garantias que o Irã afirma necessitar para aceitar um cessar-fogo duradouro.

Em termos estratégicos, o que se desenha é uma tectônica de poder onde cada ator trabalha para redesenhar fronteiras de influência sem perder margens de manobra. A retórica beligerante convive com canais discretos de comunicação: é o clássico jogo de xadrez diplomático, em que declarações públicas marcam territórios enquanto movimentos discretos testam a resistência do adversário.

Para qualquer solução sustentável será necessário estabelecer alicerces institucionais — mecanismos de verificação, garantias multilaterais e, sobretudo, uma arquitetura de segurança que dê confiança aos atores regionais. Sem isso, o risco é que o cessar-fogo seja apenas uma pausa tática, destinada a ser revertida quando as conveniências do momento o exigirem.

Em suma: há espaço para uma saída negociada, desde que as garantias sejam concretas e fiscalizáveis. Até lá, o conflito continua a ser jogado entre declarações públicas inflamadas e negociações veladas, com consequências diretas para a estabilidade regional e para a segurança energética global.