Irã sob nova onda de ataques de Israel; Pasdaran ameaçam “matar Netanyahu” enquanto Estreito de Hormuz permanece bloqueado
Nova onda de ataques entre Israel e Irã eleva riscos no Estreito de Hormuz; Pasdaran ameaçam Netanyahu e Mojtaba assume como Guia Supremo.
RESUMO ✦
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Irã sob nova onda de ataques de Israel; Pasdaran ameaçam “matar Netanyahu” enquanto Estreito de Hormuz permanece bloqueado
Marco Severini — Em um movimento que redesenha, em tempo real, linhas de influência e insegurança no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, uma nova onda de ataques lançada por Israel atingiu o oeste do Irã, num contexto já marcado por desdobramentos estratégicos de alta intensidade desde o dia 28 de fevereiro.
Naquele ataque inicial, forças dos Estados Unidos e de Israel eliminaram o aiatolá Khamenei e dezenas de altos representantes do aparelho estatal iraniano. A resposta de Teerã foi multifacetada: ataques diretos contra alvos em Israel, operações contra bases americanas no Golfo e contra os países que as hospedam, o bloqueio do tráfego petrolífero e a mobilização de aliados regionais, notadamente o movimento Hezbollah no Líbano. Em paralelo, integrantes dos Pasdaran (Forças de Guarda Revolucionária) proferiram ameaças explícitas contra o primeiro-ministro israelense, prometendo “matar Netanyahu”.
Em Teerã, a sucessão de poder avançou rapidamente: Mojtaba, filho de Khamenei, foi apresentado como a nova Guia Suprema, um movimento que altera o alicerce da legitimidade interna e redesenha fronteiras invisíveis de autoridade no regime.
As repercussões são tanto militares quanto econômicas. O bloqueio do Estreito de Hormuz — artéria crítica do comércio de hidrocarbonetos — levou a choques imediatos nos mercados de energia, com contração da produção e aumento de prêmios de risco. No aspecto diplomático, Israel procura envolvimento direto dos Estados do Golfo na espiral de confrontos, enquanto os Estados Unidos pedem apoio naval de parceiros globais para garantir a liberdade de navegação.
O presidente Donald Trump solicitou que China, França, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul enviem navios de guerra para a região como forma de proteger as rotas no estreito. A Coreia do Sul declarou que analisará o pedido atentamente em estreita consulta com Washington.
Do lado europeu, o Reino Unido, por meio do ministro da Energia Ed Miliband, afirmou que está em diálogo com aliados sobre medidas capazes de restabelecer o tráfego no Estreito de Hormuz, considerando a reabertura como prioridade mundial. Miliband defendeu que se esgotem todas as opções para evitar um colapso das rotas petrolíferas.
No terreno, o exército israelense anunciou ter desencadeado uma vasta ofensiva contra infraestruturas iranianas no oeste do país. Simultaneamente, o Hezbollah disparou dez foguetes contra a região de Haifa — sem registros de feridos — e as autoridades iranianas relataram a detenção de vinte pessoas no noroeste do país acusadas de fornecer informações a Israel sobre posições militares, segundo a agência Tasnim.
Esse conjunto de movimentos descreve uma tectônica de poder em aceleração: há um claro risco de escalada regional caso não se imponha com urgência um plano crível de desescalada. A prioridade imediata para a comunidade internacional é reabrir as rotas comerciais e reduzir a probabilidade de uma conflagração abrangente — um objetivo que exige, em termos estratégicos, coordenação entre capitais e uma leitura fria do tabuleiro, onde cada peça móvel pode alterar o equilíbrio de longo prazo.
Como observador das dinâmicas de poder, mantenho a convicção de que as próximas decisões, tomadas com prudência ou por ímpeto, definirão os contornos de um novo mapa de influências no Oriente Médio.


