Irã treina na Turquia antes da Copa 2026; liberação dos vistos dos EUA segue em aberto
Seleção do Irã treina em Antalya antes da Copa 2026; liberação dos vistos dos EUA para a delegação segue pendente, diz federação.
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Irã treina na Turquia antes da Copa 2026; liberação dos vistos dos EUA segue em aberto
Por Marco Severini — A seleção do Irã deslocou-se nesta segunda-feira para a Turquia, com escala em Antalya, para realizar amistosos preparatórios antes da partida rumo à Copa do Mundo FIFA 2026, que acontecerá nos Estados Unidos entre 11 de junho e 19 de julho. Segundo a agência Tasnim e veículos locais, a delegação — composta por 22 jogadores e a equipe técnica — já iniciou o que é apresentado como o último teste antes do embarque para o torneio.
Em Antalya, a federação iraniana projeta dois compromissos amistosos, dos quais até o momento apenas o confronto com o Gâmbia, agendado para 29 de maio, foi confirmado. Paralelamente à rotina de treinamentos, o conjunto deverá aproveitar a estada para finalizar os trâmites de obtenção dos vistos dos EUA, procedimento que se desenrola num contexto de tensão diplomática entre Teerã e Washington.
Mehdi Taj, presidente da federação de futebol do Irã, declarou que a concessão dos vistos ainda não foi formalizada e que o governo iraniano busca garantias para assegurar a liberação dos documentos necessários à delegação. Trata-se de uma peça sensível no tabuleiro: a presença da seleção dependente de decisões administrativas que extrapolam o campo desportivo.
Do lado institucional, o secretário-geral da FIFA, Mattias Grafström, qualificou como “muito construtivo” o encontro realizado no sábado em Istambul com representantes do futebol iraniano, com o objetivo explícito de garantir a participação do país no torneio. A mediação da entidade internacional funciona como um alicerce para preservar a integridade competitiva da competição diante de fricções políticas.
No aspecto logístico e competitivo, o Irã está posicionado no Grupo G e definiu Tucson, no Arizona, como seu centro de operações nos EUA. A estreia está marcada para 15 de junho, em Los Angeles, diante da Nova Zelândia. Depois, o time enfrentará a Bélgica em 21 de junho e encerrará a fase de grupos contra o Egito, em 26 de junho, em Seattle.
Como analista acostumado às dinâmicas de alta diplomacia, observo este episódio como um movimento no grande tabuleiro geopolítico: há uma tensão entre a necessidade de preservar a regularidade esportiva e as restrições que emergem da tectônica de poder entre estados. Garantir a participação do Irã implica tanto a resolução técnica de vistos quanto concessões formais que deem previsibilidade à logística da equipe.
Em termos de estratégia comunicacional, as autoridades iranianas e a FIFA precisarão trabalhar sobre fundamentos sólidos — arquitetura institucional e garantias registradas — para prevenir rupturas de última hora. Para o público e para os organizadores do Mundial, a continuidade da presença iraniana no torneio é desejável não apenas pelo aspecto competitivo, mas também pela estabilidade simbólica que remete à universalidade do evento.
Enquanto isso, a delegação segue em Antalya, enquadrando treinos, amistosos programados e os passos burocráticos pendentes. No relógio diplomático, cada dia é uma abertura ou um bloqueio possível no fluxo que levará a seleção do Irã aos gramados americanos.