Japão se dispõe a desminar o Estreito de Ormuz após relatos de minas do Irã

Japão se dispõe a desminar o Estreito de Ormuz se cessarem as hostilidades; Irã diz estar pronto a ajudar a passagem de navios japoneses.

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Japão se dispõe a desminar o Estreito de Ormuz após relatos de minas do Irã

Por Marco Severini – Em mais um movimento de grande significado estratégico no tabuleiro geopolítico, o Japão declarou estar pronto a enviar tropas para a operação de desminagem do Estreito de Ormuz, caso cessem as hostilidades entre EUA, Israel e o Irã. A afirmação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores nipônico, Toshimitsu Motegi, em entrevista à Fuji TV, ao comentar relatórios da imprensa norte-americana que afirmam – sem confirmação oficial – que o Irã estaria instalando minas no Golfo Pérsico e no próprio Estreito.

A declaração de Motegi introduz um novo ator ativo na gestão das vias marítimas estratégicas: Tóquio, cuja economia é profundamente dependente do fluxo de hidrocarbonetos do Oriente Médio, mostrou-se disposta a considerar a participação direta numa missão técnica de neutralização de ameaças subaquáticas assim que o quadro de segurança permitir. "Se as minas constituírem um obstáculo [para a navegação], a possibilidade deverá ser considerada", afirmou o chanceler nipônico.

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Do outro lado da mesma cartografia diplomática, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, disse à agência Kyodo News que Teerã está disponível para auxiliar navios japoneses a atravessar o Estreito de Ormuz. "Não fechamos o Estreito. Do nosso ponto de vista, ele está aberto", explicou Araghchi, acrescentando que o Estreito estaria "fechado apenas para as embarcações dos nossos inimigos" — ou seja, para países que atentem contra o Irã. Segundo o chefe da diplomacia iraniana, navios de nações não-ostis podem transitar mediante coordenação prévia com Teerã.

O peso econômico da rota é incontestável: o Japão, quarta economia mundial, figura como o quinto maior importador de petróleo. Aproximadamente 95% do seu petróleo provém do Oriente Médio, e cerca de 70% desse volume transita pelo Estreito de Ormuz. Em resposta ao agravamento das tensões, Tóquio já anunciou o início da liberação de partes de suas reservas estratégicas de petróleo — medida preventiva que busca amortecer choques abruptos de oferta.

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Quanto à capacidade técnica de ameaça, os relatórios indicam que, ainda que qualquer tipo de embarcação possa ser utilizado para posicionar minas, a Marinha iraniana não disponha de meios massivos para criar extensos campos minados. No entanto, Teerã possuiria nos seus arsenais entre 5.000 e 6.000 minas navais de diferentes tipologias. Essas ordens explosivas podem ser ancoradas a diferentes profundidades, aflorar na superfície para canalizar o tráfego ou permanecer submersas, e geralmente utilizam sensores não baseados em contato direto.

As minas modernas detectam variações de campo magnético, pressão hidrostática e ruídos de hélices; estimam rota e velocidade e comparam esses parâmetros com perfis pré-programados para decidir se atacam um alvo. Criticamente, muitos desses dispositivos incorporam softwares programáveis com calendários que definem janelas temporais de operação, e alguns são até autopropulsados, capazes de aproximar-se do alvo para maximizar o impacto da explosão.

Na arquitetura mais ampla deste cenário — onde alianças e interesses energéticos entrelaçam-se como peças num jogo de xadrez — a disposição do Japão sinaliza não apenas uma resposta técnica à ameaça, mas também um movimento de caráter político-diplomático, cujo efeito sobre as rotas comerciais e a estabilidade dos mercados de energia pode ser profundo. A iniciativa japonesa terá de navegar entre o direito internacional, as comunicações com Teerã e a coordenação com parceiros ocidentais, em busca de alicerces mais firmes para a liberdade de navegação numa região de tectônica de poder extremamente sensível.

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