Kaiss, menor tunisino em Sicignano: “Aqui construo meu futuro, quero ser independente”
Kaiss, 17 anos, em Sicignano: aprendizado na construção, desejo de independência e retorno pontual à Tunísia para ver a mãe.
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Kaiss, menor tunisino em Sicignano: “Aqui construo meu futuro, quero ser independente”
Por Marco Severini — No labirinto contemporâneo das migrações, histórias como a de Kaiss oferecem um mapa limpo de intenção: um jovem de 17 anos, originário da Tunísia, acolhido no centro para menores não acompanhados de Sicignano degli Alburni, descreve com serenidade e firmeza os passos de sua construção pessoal.
«Estou bem aqui, neste centro me sinto muito à vontade», diz ele. A fala é direta, sem retórica fácil: rotinas organizadas, laços sociais em formação e um projeto prático que funciona como eixo de estabilização. As jornadas do jovem são ocupadas «entre trabalho e atividades», um padrão que, na perspectiva estratégica, equivale a erguer alicerces sobre os quais edificará autonomia.
O cerne do seu percurso é um aprendizado no setor da construção. Para Kaiss, isso vai além de um ofício: é a peça que confere sentido — e segurança — ao futuro imediato. «Estou aprendendo um ofício e isso é importante para mim. Trabalhar me agrada, me dou bem com os colegas. Todo dia aprendo algo novo e isso me deixa mais seguro», relata o jovem.
Em termos práticos, o aprendizado profissional representa um movimento decisivo no tabuleiro pessoal de Kaiss: transformar conhecimento em moeda de estabilidade e independência. «Quero me tornar independente, construir algo com minhas próprias forças. O trabalho é essencial para isso», afirma, com a determinação de quem traça metas claras.
Quando enumera necessidades, não há ambiguidades: «Preciso continuar aprendendo e obter o passaporte», diz. O passaporte, nota-se, é tanto documento quanto corredor para manter vínculos afetivos: «Gostaria de poder voltar para ver minha família na Tunísia, rever minha mãe, que sinto falta, e depois retornar à Itália para trabalhar». A combinação de afeto e pragmatismo revela um projeto coerente — visita pontual às raízes e retorno ao centro de gravidade profissional.
Ao projetar alguns anos à frente, Kaiss imagina um emprego estável, possivelmente ainda na construção, e uma vida tranquila. «Gosto de ficar na Itália, não quero voltar a viver no meu país. Quero voltar apenas para ver minha mãe e depois voltar aqui, trabalhar e ajudá-la», repete. Essas palavras sintetizam um objetivo claro: edificar um futuro próprio na intersecção entre responsabilidade familiar e autonomia sócio-econômica.
Como analista, vejo nesta narrativa a materialização de uma tectônica de poder local: centros de acolhimento que funcionam como pontos de apoio para jovens que, ao aprenderem um ofício, se transformam em agentes de estabilidade — para si e para suas famílias. É também um lembrete de que políticas de integração que privilegiem formação profissional e regularização documental (como emissão de passaportes) atuam como movimentos estratégicos decisivos no tabuleiro migratório.
Em suma, a trajetória de Kaiss é a prova silenciosa de que, mesmo nas periferias da diplomacia e da migração, se podem erguer estruturas duradouras: um ofício aprendido, um documento que permita o contato com as raízes, e a ambição de construir, passo a passo, uma vida independente.


