Keiko Fujimori assume presidência do Peru e lança apelo à unidade em país fragmentado
Keiko Fujimori assume a presidência do Peru em 28/07 e pede unidade; agenda dos primeiros 100 dias inclui segurança, El Niño, economia e combate à corrupção.
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Keiko Fujimori assume presidência do Peru e lança apelo à unidade em país fragmentado
Por Marco Severini — Em 28 de julho, dia da Independência, Keiko Fujimori Higuchi, 51 anos, prestou juramento como presidente do Peru para o mandato 2026–2031, numa cerimônia realizada na sede do Congresso bicameral em Lima. Em seu primeiro discurso ao país, a nova chefe de Estado fez um apelo claro pela unidade e pela reconciliação nacional, reconhecendo que o país andino se encontra profundamente dividido por feridas históricas ainda abertas.
Formada em administração de empresas nos Estados Unidos e mãe de duas filhas, Kyara e Kaori, Keiko Fujimori assume num momento de elevada fragilidade institucional. Em termos geopolíticos e internos, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro: recuperar confiança, estabilizar a governança e implementar medidas tangíveis serão medidas de primeira ordem para evitar o redesenho de fronteiras invisíveis do poder que já vêm se instaurando na política peruana.
No discurso de posse, a presidente apresentou uma lista de prioridades que deverão guiar os primeiros cem dias do governo: segurança pública, mitigação dos efeitos do fenômeno El Niño, crescimento econômico, fortalecimento da saúde pública, combate à corrupção, repressão ao narcotráfico e reformas no sistema judiciário. Especialistas consultados no país e no exterior sublinham que essa janela inicial é crítica: é o momento para traduzir promessas em resultados mensuráveis, sob pena de aprofundar a desconfiança dos cidadãos nas instituições democráticas.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, a nova presidente carrega o peso simbólico e político de uma herança controversa. O legado paterno permanece como uma ferida aberta e, simultaneamente, como pilar que estruturou sua base eleitoral. A ascensão de Keiko Fujimori, candidata do partido de centro-direita Fuerza Popular, fecha um ciclo de tentativas: após três campanhas presidenciais frustradas, sua vitória representa o ponto culminante de uma carreira política de longo curso e de uma liderança construída dentro das instituições ao longo das últimas décadas.
Foi jovem, mas já inserida no jogo de influência: aos 19 anos, após o divórcio de seus pais em 1994, tornou-se a mais jovem primeira-dama da história republicana peruana, papel que desempenhou até 2000. Essa experiência precoce a colocou no centro da vida pública e moldou sua trajetória até a atual investidura no Palacio de Pizarro.
O cenário que se apresenta é, por isso, de desafios colossais: um país polarizado, com instabilidade política crônica, dificuldades econômicas e problemas de segurança que afetam principalmente as periferias e áreas rurais. Nessa tectônica de poder, a administração terá de construir alicerces sólidos para a reconciliação, sem omitir o exame rigoroso sobre responsabilidades do passado. A estratégia de governo precisará unir ação imediata — operações de segurança, políticas sociais e respostas ao El Niño — com reformas institucionais de médio prazo.
Para observadores experientes, a vitória de Keiko Fujimori abre também uma oportunidade para o Peru recuperar o tempo perdido. A expectativa pública é alta: o eleitorado não tolerará mais cinco anos de espera por soluções. O primeiro semestre do mandato servirá, portanto, como um teste de sua capacidade de equilibrar legado político e exigência de governabilidade, conciliando realpolitik e uma agenda de resultados.
Na linguagem dos estrategistas, trata-se de jogar movimentos precisos num tabuleiro complexo, onde cada decisão afetará a estabilidade regional e a confiança interna nas instituições. A nova administração tem pela frente a missão de costurar a unidade nacional em torno de objetivos claros e mensuráveis, sob os olhos atentos dos peruanos e da comunidade internacional.