Maldivas: mergulhador das buscas morre; licença da embarcação 'Duke of York' é suspensa

Mergulhador morre nas Maldivas durante buscas; licença do 'Duke of York' é suspensa e países oferecem assistência para recuperar corpos em Alimathà.

Maldivas: mergulhador das buscas morre; licença da embarcação 'Duke of York' é suspensa

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Maldivas: mergulhador das buscas morre; licença da embarcação 'Duke of York' é suspensa

Por Marco Severini — Em um movimento que altera o quadro operacional e político em torno da tragédia nas Maldivas, um dos mergulhadores mobilizados para o resgate dos corpos dos cidadãos italianos faleceu durante as operações na ilha de Alimathà. A morte do sergente‑mor Mohamed Mahudhee — identificado em fontes oficiais e na imprensa local também como Mahadi — foi noticiada enquanto equipes tentavam acessar as galerias submersas da denominada "gruta dos tubarões".

Relatos iniciais, incluindo informações do jornalista local Unaish Ahmed, apontam para uma possível doença de descompressão (sigla DCS, do ingles decompression sickness) como causa do mal súbito. Em termos médicos, a doença de descompressão decorre da formação de bolhas de gás — predominantemente nitrogênio — na circulação e tecidos após uma ascensão inadequada ou exposição prolongada a grandes profundidades. Em operações que chegam a cerca de 60 metros, os riscos aumentam e as janelas de segurança tornam‑se estreitas.

Paralelamente, as autoridades das Maldivas suspenderam a licença da embarcação "Duke of York", que havia coordenado o passeio durante o qual cinco cidadãos italianos perderam a vida. Essa suspensão configura um movimento de controle sobre os alicerces da operação turística e investigativa local, redefinindo quem tem autoridade para conduzir missões em águas e cavernas submersas do arquipélago.

O cenário ganha contornos ainda mais complexos pela descoberta, nas proximidades, de uma bombola de ar vazia atribuída a Gianluca Benedetti, achado inconsciente. Esse achado reforça a hipótese de esgotamento de ar seguida de asfixia e afogamento como fatores determinantes na tragédia, sem excluir a possibilidade de sequência de eventos que incluam a DCS em operações de busca e recuperação.

As autoridades de Malé solicitaram assistência internacional para a recuperação dos corpos — operação tecnicamente exigente dada a profundidade e a topografia subaquática. Austrália e Reino Unido já se mostraram disponíveis a contribuir com meios e recursos especializados. Trata‑se de um redesenho temporário do eixo de influência na resposta, no qual capacidades navais e de mergulho profundas são mobilizadas para uma missão humanitária e forense.

Entre as vítimas cujos corpos ainda estariam dentro da câmara submersa em Alimathà figuram Monica Montefalcone, sua filha Giorgia Sommacal, Muriel Oddenino e Federico Gualtieri. A combinação de profundidade, passagens estreitas e a necessidade de técnicas de mergulho de reboque e penetração transforma a tarefa em um quebra‑cabeça técnico, onde cada peça errada expõe a vida de novos salvadores.

As Forças de Defesa Nacionais das Maldivas (MNDF) declararam que conduzem operações contínuas para localizar os quatro mergulhadores desaparecidos no atol de Felidhoo. A morte do sergente‑mor Mahudhee evidencia os riscos e impõe uma reavaliação dos protocolos: um movimento decisivo no tabuleiro operacional que exige coordenação internacional, equipamentos especializados e prudência estratégica para evitar que os alicerces frágeis da diplomacia e da cooperação técnica sejam abalados por riscos previsíveis.

Na tessitura maior desta tragédia — que é ao mesmo tempo humana e operacional — o apelo por transparência, investigação técnica e assistência externa configura não apenas uma resposta imediata, mas uma lição de estratégia: operações em profundidades críticas exigem planejamento meticuloso, cadeias de comando claras e recursos que transcendam o escopo local.