Maldive: socorritor das forças nacionais morre por doença da descompressão durante busca por mergulhadores italianos
Socorritor das Maldivas morre por doença da descompressão durante busca por mergulhadores italianos; investigação e suspensão da licença do MV Duke of York.
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Maldive: socorritor das forças nacionais morre por doença da descompressão durante busca por mergulhadores italianos
Em um movimento que agrava ainda mais o drama já instalado no Atol de Vaavu, as autoridades das Maldive confirmaram a morte do socorritor das Forças Nacionais de Defesa, o sargento‑major Mohammed Mahdi, em consequência de doença da descompressão ocorrida durante uma operação de busca e resgate. A informação foi divulgada pela própria Mndf por meio de comunicado nas redes sociais.
O militar havia sido destacado para as buscas pelos corpos dos mergulhadores italianos envolvidos no acidente subaquático que vitimou, ao todo, cinco sub italianos. Segundo fontes diplomáticas consultadas, os mergulhos foram parte de uma operação coordenada entre autoridades locais e equipes de resgate. O primeiro corpo recuperado foi identificado como Gianluca Benedetti.
As operações haviam sido interrompidas por condições meteorológicas adversas e foram retomadas assim que as condições permitiram. A retomada, contudo, trouxe um novo revés: a perda de um dos socorristas que atuava no local. A ocorrência reacende questionamentos sobre os riscos assumidos nas buscas e sobre as condições operacionais das equipes.
Paralelamente, as autoridades das Maldive instauraram investigação para apurar por que o grupo de cinco mergulhadores italianos se teria aventurado além da profundidade máxima permitida de 30 metros, conforme reportagem do veículo local The Edition. O ministério do Turismo reiterou que a segurança no setor turístico é responsabilidade coletiva e anunciou medidas para reforçar normas e práticas do setor.
Em medida preventiva e para permitir investigação aprofundada, foi suspensa por tempo indeterminado a licença operacional do navio safari MV Duke of York, embarcação vinculada ao trágico incidente. A suspensão visa permitir a apuração das circunstâncias que envolveram a saída de mergulho e o eventual descumprimento de protocolos de segurança.
Enquanto isso, o iate que hospedava os 25 turistas italianos da expedição já atracou na capital Malé. A Guarda Costeira das Maldive reiniciou as imersões com o objetivo de recuperar os corpos dos quatro mergulhadores que ainda estavam desaparecidos após o acidente ocorrido na quinta‑feira.
Do ponto de vista estratégico, trata‑se de um episódio que expõe os alicerces frágeis da governança de segurança em espaços marítimos turísticos: a tectônica de poder entre operadores privados, normas estatais e responsabilidades individuais foi deslocada por uma sequência de erros e pela força imprevisível do mar. É imprescindível que a investigação seja célere e transparente, não apenas para dar respostas às famílias, mas para redesenhar os padrões de segurança que regem esse segmento sensível do turismo.
Por Marco Severini, analista de geopolítica e estratégia internacional.