Markwayne Mullin, ex-encanador, confirmado como chefe do Departamento de Segurança Interna dos EUA
Markwayne Mullin, ex-encanador e senador, é confirmado como secretário do Departamento de Segurança Interna em votação de 54-45 no Senado.
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Markwayne Mullin, ex-encanador, confirmado como chefe do Departamento de Segurança Interna dos EUA
Por Marco Severini — Em um movimento que reconfigura peças importantes no tabuleiro da segurança interna americana, o senador republicano de Oklahoma Markwayne Mullin foi oficialmente confirmado como novo secretário do Departamento de Segurança Interna (DHS). A confirmação do Senado ocorreu por 54 votos a 45, com duas exceções notáveis entre os democratas — John Fetterman e Martin Heinrich — que se somaram à maioria. Entre os republicanos, o voto dissidente de destaque foi o de Rand Paul, que se posicionou contra a nomeação.
Figura controversa e, para alguns, emblemática da singularidade política estadunidense, Mullin — 48 anos, empresário no ramo de hidráulica e praticante de artes marciais mistas — chega a um gabinete vital sem currículo tradicional em temas de segurança. Sua trajetória pública é marcada por um ceticismo quase instintivo em relação à máquina burocrática de Washington, postura que alimentou sua ascensão política e que agora será posta à prova ao assumir um dos ministérios mais complexos e contestados da administração.
O Departamento de Segurança Interna, criado após os atentados de 11 de setembro de 2001, é um mosaico institucional que reúne agências com funções muitas vezes divergentes — de imigração a proteção de infraestruturas críticas. Nos últimos meses, as atribuições do DHS tornaram-se politicamente explosivas: agentes do ICE e do Border Patrol foram alvo de acusações que variam de abusos e detenções ilegais ao homicídio de dois cidadãos americanos, Renee Good e Alex Pretti, mortos em janeiro em Minneapolis enquanto protestavam pacificamente contra operações migratórias.
Analistas experientes advertem que o comando deste departamento exige disciplina administrativa rigorosa e habilidade de harmonizar agências com rotinas e culturas diversas. Mullin, ao contrário, construiu reputação por um estilo direto e físico — inclusive por episódios de confronto em audiências públicas, como a ameaça de rixa com um representante sindical em 2023, imagens que circularam ativamente nas redes sociais. Recentemente, uma fotografia que o mostra agachado nos bancos do Capitólio durante a insurreição de 6 de janeiro tornou-se viral, reacendendo debates sobre seu comportamento em momentos de crise.
Nas fileiras da oposição, a visão predominante é que Mullin representa mais um outsider destinado a ser assimilado pela engrenagem burocrática de Washington, perdendo eventualmente suas críticas anti-establishment no emaranhado institucional. Seus defensores, por outro lado, o apresentaram como a pessoa certa para impor disciplina operacional e cortar privilégios de uma administração que, segundo eles, perdeu o rumo.
O gabinete que Mullin assume sucedeu a gestão de Kristi Noem, cuja passagem foi marcada por forte exposição midiática e controvérsias administrativas — desde gastos considerados excessivos, incluindo aquisição de jatos e campanhas publicitárias volumosas, até uma comunicação centrada na personalidade da secretária. Esses excessos elevaram as apostas: o novo secretário agora tem a incumbência de restaurar credibilidade institucional enquanto equilibra imperativos de segurança, direitos civis e supervisão democrática.
Do ponto de vista geopolítico e estratégico, este é um movimento de grau elevado no grande tabuleiro americano. Nomear um personagem forjado na crítica ao Estado para a pasta que coordena a defesa das fronteiras e a gestão de crises internas é um lance arriscado, que pode redesenhar fraturas internas e reconfigurar a tectônica de poder entre agências federais, governos estaduais e instituições locais. Resta saber se Mullin, com seu perfil de outsider disciplinador, conseguirá ser o arquiteto de um novo equilíbrio ou será consumido pelas fundações frágeis da própria diplomacia interna americana.