Meloni no Conselho Europeu: guerra no Oriente Médio domina a agenda e pressiona a competitividade da UE
Meloni participa do Conselho Europeu onde a guerra no Oriente Médio domina e pressiona debates sobre energia, ETS e competitividade da UE.
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Meloni no Conselho Europeu: guerra no Oriente Médio domina a agenda e pressiona a competitividade da UE
Chegou ao Europa Building a figura central da representação italiana: a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, participa do encontro dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, num momento em que a tectônica de poder internacional redesenha prioridades. Antes da abertura formal dos trabalhos, os escritórios da Delegação italiana acolheram duas reuniões informais de coordenação: a primeira, com o chanceler alemão Friedrich Merz e o primeiro‑ministro belga Bart de Wever, dedicada à competitividade europeia; a segunda, voltada a soluções inovadoras para a migração, promovida em conjunto com os primeiros‑ministros da Dinamarca e dos Países Baixos, reunindo um total de 16 Estados‑membros (Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Alemanha, Grécia, Letônia, Malta, Polônia, República Checa, Eslováquia, Suécia e Hungria, entre outros) e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O Conselho previsto para março tinha como mote a competitividade, mas a guerra no Oriente Médio irrompeu com força na agenda dos líderes, impondo um movimento decisivo no tabuleiro político europeu. A sessão se abriu com as saudações da presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, seguidas do pronunciamento em videoconferência do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que deve renovar o pedido à UE para desbloquear o empréstimo de 90 bilhões de euros acordado em dezembro de 2025 e hoje travado pelo veto do primeiro‑ministro húngaro Viktor Orbán.
A discussão matinal centrou‑se exatamente nesse ponto. Fontes comunitárias indicam, porém, que será difícil convergir numa solução imediata que torne operacional o pacote financeiro a curto prazo. A arquitetura das decisões segue fragilizada por vetos e cálculos nacionais que refletem interesses estratégicos e interiores distintos — um verdadeiro jogo de xadrez entre capitais.
Está previsto ainda o almoço, possivelmente o último com o secretário‑geral das Nações Unidas, António Guterres, cuja presença deve trazer a debate a guerra no Oriente Médio e o futuro do multilateralismo. Entretanto, segundo apurações, os líderes demonstram relutância em descer a pormenores; nas 70 passagens das conclusões do Conselho não consta qualquer referência ao Estreito de Ormuz, sinalizando uma linguagem deliberadamente contida para não ampliar fracturas no consenso.
O período vespertino será reservado aos dossiês de defesa, segurança, migração e, por fim, competitividade, com a missão de converter as reflexões do retiro de Alden Biesen, de 12 de fevereiro, em propostas operacionais. No capítulo da competitividade sobressai o tema do custo da energia e do sistema ETS — o mecanismo europeu de «cap and trade» para emissões de CO2. O sistema pressupõe um teto de emissões e cotas negociáveis: quem emite menos pode vender excedentes; quem ultrapassa compra cotas. Trata‑se de um instrumento fundamental para a descarbonização, mas que enfrenta resistência.
Países como a Itália e outros nove Estados solicitaram a suspensão das regras atuais do ETS (ETS 1) até 2034, em resposta ao novo choque que elevou os preços da energia — o verdadeiro nó deste Conselho. Na carta enviada aos líderes, Ursula von der Leyen esboçou diferentes soluções, buscando um equilíbrio entre metas climáticas e a segurança econômica e social dos Estados‑membros.
Em termos geopolíticos, este Conselho ilustra como crises externas têm a capacidade de deslocar prioridades internas e acelerar realinhamentos: os alicerces da diplomacia europeia são testados tanto pela guerra que se alastra no Oriente Médio quanto pelos vetos e interesses nacionais que complicam a ação coletiva. A sessão de hoje será, portanto, menos um fim do que um diagnóstico estratégico — um movimento de posicionamento no tabuleiro, cuja consequência prática só se verá nas próximas jogadas políticas e técnicas.
Marco Severini — Espresso Italia


