Mykhailo Drapatyi: o novo comandante-chefe que assume as Forças Armadas da Ucrânia
Mykhailo Drapatyi, 43, assume o comando das Forças Armadas ucranianas, prometendo reformas e responsabilidade após a era Syrsky.
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Mykhailo Drapatyi: o novo comandante-chefe que assume as Forças Armadas da Ucrânia
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, ainda que discretamente, o tabuleiro estratégico ucraniano, Mykhailo Drapatyi, de 43 anos, foi nomeado novo comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia. A sucessão ocorre após a saída de Oleksandr Syrsky, 60, um estratega reconhecido, porém criticado por métodos tidos como residuais do sistema soviético e pela postura considerada insuficiente diante das elevadas perdas civis.
Drapatyi é um oficial de carreira moldado inteiramente pelo sistema pós-soviético ucraniano, cuja trajetória ascendente ganhou aceleração a partir de 2014, com o eclodir do conflito no Donbass. Ainda tenente, destacou-se ao comando de um veículo de combate de infantaria em maio de 2014, num episódio que ganhou repercussão: diante de barricadas improvisadas em Mariupol, ordenou ao motorista que acelerasse — e o blindado rompeu os obstáculos, bandeira ucraniana hasteada, abrindo caminho para a defesa da cidade.
Ao longo dos combates, Drapatyi recebeu crédito por reconquistar localidades e por salvar sua unidade de situações de cerco. Segundo relatos da mídia ucraniana, é casado e pai. Apesar da notoriedade entre militares e sociedade civil, manteve perfil reservado, evitando exposição pública constante.
Em junho de 2025, após sucessivos ataques russos contra centros de adestramento que expuseram fragilidades logísticas e operacionais, Drapatyi apresentou sua renúncia como comandante das forças terrestres — um gesto que, na ótica de analistas internos, o qualificou como um oficial disposto a assumir responsabilidades. "Se não tirarmos as devidas conclusões, se não mudarmos atitude, se não reconhecermos nossos erros, estamos perdidos", declarou então, numa fala rara e franca.
Posteriormente, foi nomeado para comandar as forças conjuntas, cargo no qual impulsionou reformas internas. Em um contexto recente de trocas na cúpula reformista — marcada pela saída, na semana passada, de Mykhailo Fedorov — Drapatyi reafirmou que a transformação do Exército deve prosseguir. "Quando uma decisão correta precisa ser aplicada apesar do sistema, e não por conta dele, significa que o sistema precisa mudar", afirmou, sublinhando a necessidade de novas regras e estruturas de comando.
Sua nomeação recebeu saudações amplas: de dentro das Forças Armadas por confiança institucional, e de atores civis que atuam em apoio ao esforço bélico. Para Serhiy Prytula, líder de uma das maiores organizações beneficentes pró-exército, trata-se de "uma ótima notícia"; para Fedorov, é "uma lufada de ar fresco e uma nova fonte de esperança" na resistência ucraniana contra a Rússia.
Do ponto de vista geopolítico, a escolha de Drapatyi representa um movimento cuidadoso no grande tabuleiro: não um rompimento radical com estruturas antigas, mas uma tentativa de recalibrar os alicerces da defesa ucraniana — uma espécie de ajuste tectônico destinado a combinar credibilidade operacional com reformas institucionais. Em termos práticos, caberá ao novo comandante equilibrar urgência operacional e modernização estrutural, enquanto negocia espaço político num ambiente de alta tensão e fronteiras estratégicas em transformação.