Crise no Irã: Narges Mohammadi, laureada com o Nobel da Paz, está em estado crítico dentro da prisão

Narges Mohammadi, Nobel da Paz, está em estado crítico no Irã; mobilização internacional pede sua libertação urgente.

Crise no Irã: Narges Mohammadi, laureada com o Nobel da Paz, está em estado crítico dentro da prisão

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Crise no Irã: Narges Mohammadi, laureada com o Nobel da Paz, está em estado crítico dentro da prisão

Por Marco Severini — Em um movimento que revela as fissuras e os alicerces frágeis da diplomacia contemporânea, Narges Mohammadi, física de formação, jornalista e voz proeminente na defesa dos direitos humanos no Irã, encontra-se em condição considerada em estado terminal dentro de uma prisão iraniana. Aos 52 anos, laureada com o Nobel da Paz em 2023, Mohammadi transformou sua biografia em um símbolo: a batalha pela abolição da pena de morte e contra a discriminação de gênero teve nela uma estrategista que há décadas desafia o eixo de poder da República Islâmica.

O quadro foi denunciado publicamente por sua advogada, Chirinne Ardakani, que atua a partir da França — país onde reside a família da ativista (marido e dois filhos) e também base de organizações como a Reporters Sans Frontières. Segundo o relato jurídico, Mohammadi, já condenada em múltiplas ocasiões (13 prisões e 5 sentenças antecedentes), foi novamente recolhida à prisão em dezembro passado após um percurso que alternou longos períodos dentro e fora das celas iranianas.

Em 8 de fevereiro de 2026, uma nova sentença a privou de liberdade: seis anos por "reunião e conluio contra a segurança nacional" e um ano e meio por "propaganda contra o regime"; além disso, determinou-se o exílio interno por dois anos na cidade de Khusf e uma proibição de saída do país por igual período, segundo nota da Amnistia Internacional. Em um episódio grave, relatado por fontes informadas, Mohammadi sofreu um infarto em 24 de março na prisão de Zanjan e teve-lhe negado o encaminhamento para tratamento hospitalar adequado, fato que acelerou um quadro clínico já comprometido por doenças cardíacas e pulmonares.

A recusa das autoridades judiciárias em conceder sua libertação humanitária ou mesmo o traslado para atendimento tem sido contestada por médicos, advogados e familiares, que qualificam a situação como "desesperada". A emergência não é apenas médica, mas também política: a permanência de uma figura internacionalmente reconhecida e protegida pelo prestígio de um Nobel em condições fatais dentro de um estabelecimento prisional desenha um movimento decisivo no tabuleiro internacional, com potencial de redesenhar fronteiras invisíveis de influência diplomática.

De resposta imediata, emergiu uma ampla mobilização internacional. Organismos e líderes elevaram a voz — da Unesco aos apelos públicos do presidente Emmanuel Macron; da Espanha, onde o ministro dos Negócios Estrangeiros Albares chegou a convocar o embaixador iraniano em Madrid, até organizações não governamentais de defesa da imprensa e dos direitos civis. A corrida contra o tempo busca não apenas a libertação de Mohammadi, mas a preservação de um princípio básico: que a dignidade e a saúde de um preso político não sejam instrumentos de cálculo estratégico.

Como analista, observo que este episódio se insere numa tectônica de poder que transcende o bilateral: há um teste sobre a capacidade das instituições multilaterais e dos Estados europeus de converter pressão moral em resultados concretos. Em termos de geopolítica, a situação de Narges Mohammadi é um lembrete severo de que, no grande tabuleiro, as peças humanitárias às vezes decidem partidas que pareciam reservadas apenas à diplomacia tradicional.