Pasdaran treinam civis em Teerã para 'atirar no invasor' com AK-47

Pasdaran treinam civis em Teerã com AK-47 para enfrentar um 'invasor'; mobilização inclui mulheres, jovens e apoio psicológico.

Pasdaran treinam civis em Teerã para 'atirar no invasor' com AK-47

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Pasdaran treinam civis em Teerã para 'atirar no invasor' com AK-47

Teerã — Em um movimento que redesenha, em pequena escala, os vetores da mobilização civil, os pasdaran — as Guardas Revolucionárias Islâmicas do Irã — organizaram em Teerã sessões públicas para instruir habitantes a desmontar, montar, carregar e disparar um fuzil de assalto AK-47. O objetivo declarado pelos instrutores, segundo reportagens internacionais, é preparar civis para enfrentar um eventual "invasor".

O curso é rápido, cerca de meia hora, e montado em estandes com painéis ilustrativos distribuídos por vários pontos da capital. As sessões, que tiveram início há mais de duas semanas, foram descritas como um treinamento básico sobre o manuseio do Kalashnikov — aprender quais munições usar, pontaria e como efetuar um disparo sem errar o alvo. As autoridades de segurança justificam a iniciativa como um reforço da defesa territorial e da «cultura do martírio e da vingança» em memória do líder supremo, referenciado nos discursos oficiais.

Há, nas filmagens difundidas, homens com pouca instrução militar, mulheres de chador — algumas com faixas estampadas com a bandeira nacional — e até crianças e adolescentes posando com armas para fotografias. Os treinos, reporta a AFP, foram acompanhados por discursos e canções patrióticas, que ecoavam por alto-falantes nas proximidades das estações de treinamento.

Embora, até agora, o foco seja o fuzil de assalto, fontes locais anunciam que em breve novos tipos de armamento serão introduzidos nas instruções. Em paralelo, pontos de apoio oferecem chá, atendimento médico e suporte psicológico, numa arquitetura de mobilização que mistura ritual, propaganda e preparação bélica.

Participantes entrevistados descrevem motivações pessoais alinhadas à retórica oficial. Fardin Abbasi, funcionário público de 40 anos, afirmou após uma breve sessão de prática que espera poder empregar esse treinamento “contra a agressão inimiga” caso ocorra uma nova ofensiva. Fatemeh Hossein-Kalantar, dona de casa de 47 anos, disse que levou filhos e jovens da família para testemunhar o treino e que responderia ao chamado do líder supremo, citado como tendo sido morto nos ataques surpresa israelo-americanos que teriam dado início à guerra em 28 de fevereiro.

A televisão estatal abraçou a iniciativa: em transmissões ao vivo, apresentadores foram convidados a demonstrar o uso do fuzil sob orientação de um membro das Guardas Revolucionárias. Um vídeo viralizou — nele, um condutor de programa dispara dentro do estúdio, imagem que sublinha a dimensão simbólica e performativa da operação de treinamento.

Como analista que observa o tabuleiro estratégico, é possível ler essa mobilização como um movimento preventivo e performático: os instrutores consolidam alicerces políticos e sociais que podem sustentar uma escalada ou prolongamento do conflito, ao mesmo tempo em que projetam uma imagem de resiliência nacional. Em termos de arquitectura de poder, trata-se de um reforço da linha de frente doméstica, uma tentativa de transformar a população em peça ativa do xadrez geopolítico.