Pizzaballa teve entrada negada no Santo Sepulcro; Patriarcado e Custódia anunciam acordo e agradecem a Herzog

Patriarcado e Custódia anunciam acordo após Polícia israelense impedir Pizzaballa no Santo Sepulcro; agradecimento a Herzog e garantias para ritos da Páscoa.

Pizzaballa teve entrada negada no Santo Sepulcro; Patriarcado e Custódia anunciam acordo e agradecem a Herzog

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Pizzaballa teve entrada negada no Santo Sepulcro; Patriarcado e Custódia anunciam acordo e agradecem a Herzog

Por Marco Severini — Em um movimento que revelou as fragilidades dos alicerces da diplomacia religiosa em Jerusalém, o Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa informaram que as questões relativas às celebrações da Semana Santa e da Páscoa no Santo Sepulcro foram tratadas e resolvidas em coordenação com as autoridades competentes. Segundo a nota conjunta, e em acordo com a polícia israelense, foi garantido o acesso aos representantes das Igrejas para celebrarem as liturgias e preservarem antigas tradições.

O episódio remete a ontem, quando o cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, e o padre Francesco Ielpo, custódio oficial da Igreja do Santo Sepulcro, tiveram o ingresso impedido enquanto se dirigiam a celebrar a Missa da Domingo de Ramos. Ambos foram detidos ao longo do trajeto, sem qualquer aparência de procissão pública, e forçados a retornar. De acordo com o comunicado conjunto, tratou‑se, pela primeira vez em séculos, de um impedimento aos chefes da Igreja para celebrarem a Missa naquele local.

Em entrevista ao Tg2000, o cardeal Pizzaballa qualificou o episódio como um mal‑entendido: “Não nos compreendemos, é isso que aconteceu. Não é algo que já tenha acontecido antes, e é lamentável”. O Patriarca explicou que a polícia havia invocado ordens do comando interno que proibiam qualquer forma de aglomeração em locais sem abrigo disponível. No entanto, enfatizou, não houve pedido de ato público: “queríamos apenas uma breve cerimônia privada, para preservar a ideia da celebração no Santo Sepulcro”.

O tom do encontro com as forças de segurança — segundo Pizzaballa — foi cortês e civilizado: “Não houve confrontos, tudo foi feito de maneira muito educada”. Ainda assim, o episódio expõe um ponto sensível da tectônica de poder que governa os espaços sagrados em Jerusalém. O Patriarcado afirmou a intenção de usar a situação como ocasião para clarificar procedimentos nos próximos dias, conciliando a segurança de todos com o direito à oração.

O comunicado conjunto também declinou gratidão ao presidente do Estado de Israel, Isaac Herzog, por sua pronta intervenção. “Salvaguardar a liberdade de culto permanece um dever fundamental e partilhado”, diz a nota, sinalizando um gesto de mediação institucional que evitou um agravamento do conflito.

Em um comentário que ilustra a volatilidade do debate público, o cardeal referiu‑se à declaração do ex‑primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu sobre Jesus e Genghis Khan: “Para nós, a vitória está na Cruz”, disse Pizzaballa. “A Cruz não é apenas sofrimento e morte; é um que doa a vida.”

Neste tabuleiro em que cada movimento repercute muito além do imediato, o episódio evidencia não apenas um desconforto momentâneo, mas a necessidade de um redesenho de procedimentos — quase uma cartografia de protocolos — para que os espaços de culto permaneçam invioláveis numa época em que os equilibrios regionais se mostram cada vez mais frágeis.