Quando presidentes viram alvo: de Lincoln a Kennedy e as três ameaças a Trump
De Lincoln a Kennedy, entenda as tentativas e assassinatos de presidentes dos EUA e a sequência de ameaças a Donald Trump.
RESUMO ✦
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Quando presidentes viram alvo: de Lincoln a Kennedy e as três ameaças a Trump
Na recente cerimônia no Hotel Hilton de Washington, onde se reuniam correspondentes, voltou a ficar evidente a vulnerabilidade física e simbólica de líderes em posição de comando. Para Donald Trump foi a terceira ocasião em que sua vida esteve diretamente ameaçada. Em julho de 2024, durante um comício em Butler, Pensilvânia, o magnata foi atingido de raspão no rosto por um disparo. O autor dos tiros, que abriu fogo oito vezes desde o telhado de um armazém antes de ser abatido, acabou ferindo fatalmente um voluntário bombeiro.
Poucos meses depois, em setembro do mesmo ano, o então candidato republicano foi novamente alvo enquanto jogava golfe em seu clube em West Palm Beach. Um agente do Secret Service percebeu o cano de um fuzil surgindo por trás de uma cerca e agiu rapidamente, fazendo com que o homem armado — um homem de 58 anos das ilhas Havaí, declarado inimigo de Trump e favorável à Ucrânia no conflito com a Rússia — fosse afastado antes de efetuar disparos.
Esses episódios recentes inserem-se numa longa sequência de tentativas e assassinatos que marcam a história política dos Estados Unidos. O padrão remonta ao século XIX, quando o primeiro presidente republicano, Abraham Lincoln, foi assassinado em 1865 por John Wilkes Booth, gesto que simbolizou a fratura tardia e sangrenta da Guerra de Secessão.
Outro presidente morto por um atentado foi James A. Garfield, baleado em 1881 enquanto se preparava para embarcar numa composição em Washington; morreu semanas depois em consequência dos ferimentos. No início do século XX, em 1901, William McKinley foi assassinado pelo anarquista Leon Czolgosz, que mais tarde foi condenado à pena capital.
O século XX trouxe ao palco um dos casos que mais alimentou dúvidas e teorias: em 22 de novembro de 1963, o presidente John F. Kennedy foi alvejado em Dallas enquanto seguia em sua limousine. O atirador identificado pelas investigações oficiais foi Lee Harvey Oswald, preso poucas horas depois e morto dois dias mais tarde por Jack Ruby — circunstâncias que deram espaço a conjecturas e teorias conspiratórias que persistem até hoje.
O drama voltou a atingir a família Kennedy em 5 de junho de 1968, quando Robert F. Kennedy foi assassinado em Los Angeles por Sirhan Sirhan, após conquistar a primária da Califórnia. Mais tarde, em 1981, o presidente Ronald Reagan sofreu uma tentativa de assassinato: o jovem John Hinckley Jr. disparou contra o mandatário, ferindo também membros de sua equipe; Reagan sobreviveu aos tiros.
Num contexto político dos anos recentes marcado por polarização crescente — evidenciada desde o ataque ao Capitólio de 2021 — a violência dirigida a figuras públicas permanece como indicativo de uma tectônica de poder em mutação. O caso de Trump, repetido e público, é sintomático de um tabuleiro onde atores não estatais, radicalizados, testam freneticamente os limites da proteção institucional.
Como analista, vejo nesses episódios mais do que relatos de crime: são movimentos em um jogo de xadrez geopolítico e interno, em que a proteção do Estado, a contestação eleitoral e a narrativa pública disputam espaços. A estabilidade democrática exige, além de medidas de segurança, o fortalecimento dos alicerces civis da política — educação cívica, transparência e responsabilidade — para evitar que a violência reconfigure fronteiras invisíveis do debate público.