Senado dos EUA aprova pacote de sanções energéticas contra a Rússia; projeto segue para a Câmara
Senado dos EUA aprova pacote de sanções para cortar receitas energéticas da Rússia; projeto vai à Câmara e pode autorizar tarifas sobre China e Índia.
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Senado dos EUA aprova pacote de sanções energéticas contra a Rússia; projeto segue para a Câmara
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha uma parte importante do atual tabuleiro geopolítico, o Senado dos EUA aprovou, na sexta‑feira 7 de agosto, um amplo pacote de sanções voltado a cortar as receitas energéticas da Rússia. A iniciativa segue agora para a Câmara dos Representantes, embora a votação final não deva ocorrer antes do reinício dos trabalhos em setembro, em razão da pausa de verão do Congresso.
O texto aprovado pelo Senado prevê medidas contra funcionários russos, oligarcas, instituições financeiras e a chamada "flotilha fantasma", utilizada para contornar restrições às exportações de petróleo de Moscou. Entre as ferramentas previstas, o projeto confere ao presidente Donald Trump autoridade para impor tarifas — potencialmente de até 500% — sobre importações russas, incluindo gás e petróleo. Outro aspecto estratégico e controverso permite ao presidente aplicar tarifas de até 100% sobre bens provenientes dos maiores compradores do petróleo e gás russos, com menção explícita a países como China e Índia.
Senadores que apoiam a iniciativa argumentam que atacar as receitas energéticas é condição necessária para reduzir a capacidade do presidente Vladimir Putin de financiar a guerra na Ucrânia, corrente conflituosa que já chega ao quinto ano. Se transformado em lei, o pacote possibilitaria a inclusão do próprio Putin entre os alvos das sanções, além de altos integrantes do aparelho estatal.
O projeto leva o nome do falecido senador Lindsey Graham, que morreu em 11 de julho após dedicar mais de um ano à construção de consenso em torno da proposta. Pouco antes de seu falecimento, Graham anunciou ter fechado acordo com a Casa Branca sobre uma versão revista do texto que estende autoridades sancionatórias existentes, incluindo mecanismos para limitar financiamento aos setores energético e militar do Irã. Darline Graham, irmã do senador e sua sucessora no Congresso, afirmou que a aprovação do projeto honraria a memória do irmão e ajudaria a "promover a paz" ao cortar recursos que alimentam a máquina bélica russa.
A senadora democrata Jeanne Shaheen, integrante do Comitê de Relações Exteriores, sublinhou que a lei "atinge com força os setores energético e financeiro da Rússia" e que "Vladimir Putin entende apenas a força e responde à pressão". Para Shaheen, a legislação representa a melhor oportunidade de desarticular a máquina de guerra russa e forçar Moscou a negociar.
Do outro lado do tabuleiro, a embaixada da Rússia em Washington condenou o projeto, afirmando que a medida prejudicaria a atual administração norte-americana. A iniciativa americana ocorre em um momento de crescente pressão europeia sobre Moscou: a União Europeia aprovou no mês passado um novo pacote de sanções — o 21º desde a invasão de 2022 — ainda que em formato atenuado após contestações entre Estados‑membros. O pacote europeu concentrou‑se em mecanismos como o congelamento de tetos de preço ao petróleo, destinados a limitar os lucros de Moscou diante de choques de oferta relacionados, por exemplo, a atritos no Oriente Médio.
Em termos estratégicos, trata‑se de um movimento de alto risco e potencial alto impacto. Ao mirar nas receitas energéticas da Rússia, Washington tenta desmontar os alicerces que sustentam a campanha militar de Moscou — uma jogada de xadrez que busca isolar economicamente um adversário, ao mesmo tempo em que testa os limites de aliança com parceiros econômicos importantes no tabuleiro global. Resta agora observar como a Câmara dos Representantes, atores comerciais como China e Índia, e os aliados europeus reagirão ao novo desenho de pressão financeira.