Sudão: RSF cercam El Obeid e anunciam assalto terrestre em 72 horas — Dagalo mira Khartoum
RSF concentram forças em El Obeid e prometem assalto em 72 horas; Dagalo mira Khartoum, enquanto denúncias apontam apoio etíope e regional.
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Sudão: RSF cercam El Obeid e anunciam assalto terrestre em 72 horas — Dagalo mira Khartoum
Fontes militares sudanesas informam que as Forças de Apoio Rápido (RSF) concentraram um contingente significativo de combatentes nas imediações de El Obeid, capital do Kordofan Setentrional, preparando-se para um possível assalto terrestre em larga escala nas próximas 72 horas. A cidade, controlada pelo exército sudanês (SAF) e sob cerco desde os primeiros meses do conflito, vive um novo agravamento das condições de segurança e de sobrevivência para a população civil.
Do ponto de vista estratégico, a ofensiva anunciada configura um movimento decisivo no tabuleiro: a captura de El Obeid daria às RSF, lideradas por Mohamed Dagalo, o controle econômico do Kordofan Setentrional e abriria uma via de avanço em direção a Khartoum, objetivo final do líder paramilitar. Em termos de cartografia de poder, trata‑se de um redesenho de fronteiras invisíveis que afetaria as rotas logísticas entre o Oeste do Sudão e o eixo que conduz à capital.
Em fevereiro de 2025 o exército sudanês conseguiu romper parte do cerco e transformou El Obeid em um centro operacional avançado para operações no Kordofan e no Darfur. Ainda assim, as RSF mantêm sob seu domínio grande parte do Estado, com exceção de localidades como Sheikan, Um Rawaba e Al‑Rahad, que se situam ao longo da artéria que liga o Kordofan Setentrional ao Estado do Nilo Branco e a Khartoum.
Fontes alertam para a mobilização de combatentes originários do Darfur e do Kordofan Ocidental, apoiados por veículos blindados e meios corazzati pesanti. Investigações recentes — incluindo um relatório da Yale — apontam para uma cadeia logística que teria por base uma instalação militar etíope em Asosa, onde veículos civis seriam convertidos e armados antes de serem entregues às RSF. A participação da Etiópia, se confirmada plenamente, implicaria um aprofundamento da tectônica regional de poder, com implicações diretas para a estabilidade transfronteiriça.
Em reação às movimentações, a Força Aérea Sudanesa intensificou saídas para alvejar posições e concentrações das RSF, buscando dispersar colunas em marcha e atrasar qualquer tentativa de ruptura das linhas defensivas ao redor de El Obeid. Relatos adicionais indicam que as RSF destruíram oito postos de serviço nos últimos três dias e empregaram drones contra caminhões‑tanque nas áreas de Al‑Rahad e Um Rawaba, numa operação que visa também a asfixiar a logística e gerar pressão sobre civis e forças leais ao governo.
Depois da perda do Darfur, concretizada com a tomada de Al‑Fashir, a captura do Kordofan Setentrional representaria um golpe estratégico de grande envergadura para o SAF. Organizações internacionais como a HRW já documentaram relatórios sobre o apoio externo às RSF, incluindo alegações de envolvimento dos EAU e a presença de mercenários estrangeiros em estágios pré‑operacionais.
Em minha avaliação — pautada pela leitura dos movimentos geoestratégicos e pela arquitetura histórica das influências regionais —, o avanço das RSF sobre El Obeid seria mais do que uma vitória territorial: seria um reposicionamento das peças no tabuleiro sudanês, com risco real de escalada e de contagio para países vizinhos. A situação exige, portanto, uma resposta diplomática articulada que vise interromper linhas de suprimento externas, proteger corredores humanitários e evitar que o conflito se transforme em um conflito por procuração entre capitais regionais.
O tempo é um fator crítico: nas próximas 72 horas o mundo assistirá se a iniciativa de Dagalo é apenas um movimento de pressão ou um ataque que, se bem sucedido, mudará permanentemente o alicerce da ordem política no Sudão.