Tragédia nas Maldivas: retoma missão de recuperação; imersão teria ultrapassado limite de -30 metros
Tragédia nas Maldivas: retomada busca por mergulhadores italianos; investigação apura se imersão ultrapassou limite de -30 metros e uso de Nitrox.
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Tragédia nas Maldivas: retoma missão de recuperação; imersão teria ultrapassado limite de -30 metros
Sábado, 16 de maio de 2026
Retomam-se hoje, se as condições meteorológicas permitirem, as operações de busca e recuperação dos corpos dos cinco mergulhadores italianos que perderam a vida na tragédia ocorrida nas Maldivas na quinta-feira, 14 de maio. O incidente ocorreu durante uma expedição para alcançar grutas submarinas a cerca de -50/-60 metros no atol de Vaavu, região conhecida pelas suas cavidades complexas e pelo risco técnico elevado.
Ontem, fontes locais, posteriormente confirmadas pelo Consulado italiano e pela Farnesina, anunciaram o resgate de um único corpo: o do capitão da embarcação, Gianluca Benedetti, localizado às 18h13 no horário local (15h13 na Itália), na segunda das três câmaras que compõem a gruta de Alimathà. Essa informação contradiz relatos iniciais que atribuíram o achado à bióloga Monica Montefalcone, a qual, segundo as autoridades, segue entre as desaparecidas, juntamente com sua filha Giorgia Sommacal, Federico Gualtieri e Muriel Oddenino.
Permanece no centro da reconstrução investigativa a dupla questão que rege toda análise de incidentes técnicos em ambiente hostil: a causa imediata das mortes e a própria natureza da imersão. Imagens e relatos apontam que o barco Duke of York partiu por volta das 11h, em condições meteorológicas descritas por testemunhas como favoráveis — mar calmo e visibilidade ótima — o que torna o evento ainda mais enigmático. Por volta das 12h, quando os mergulhadores não retornaram à superfície, os demais tripulantes alertaram as autoridades.
Informações da imprensa local, citadas pela agência Mihaarua, indicam que a expedição pode ter excedido o limite regulamentar de -30 metros imposto pelo Ministério do Turismo das Maldivas para mergulho recreativo. O limite é claro e aplicável tanto a turistas quanto a instrutores e operadoras em liveaboards e safari boats: “sem exceções”, como consta na norma. Uma eventual profundidade de -60 metros colocaria a operação fora do quadro recreativo, a menos que fosse autorizada como missão de natureza científica ou técnica, hipótese que justifica a concessão de uma exceção.
Outro ponto que pesa na investigação é a presença, a bordo, de cilindros com mistura Nitrox — uma composição de oxigênio e nitrogênio com níveis de oxigênio entre 32% e 36%. O Nitrox é utilizado para reduzir o tempo de exposição ao nitrogênio em imersões moderadas, mas requer procedimentos e limites operacionais precisos; sua presença em mergulhos profundos pode aumentar riscos relacionados à toxicidade por oxigênio se não aplicada com controles rigorosos.
Do ponto de vista estratégico e institucional, a tragédia evidencia falhas potenciais nas camadas de responsabilidade: autorização da atividade, gestão do risco pela liveaboard, formação e briefing dos mergulhadores, e coordenação das autoridades locais em casos de operações técnicas. As perguntas são claras e exigem respostas que vão além da pressa por conclusões: havia autorização científica? Quem assinou a isenção ou o plano de mergulho? As práticas de mistura de gás e tabelas de descompressão foram observadas fielmente?
Enquanto equipes locais e especialistas técnicos planejam a retomada dos trabalhos de recuperação, cabe observar que este episódio redesenha, de modo doloroso, os alicerces frágeis da diplomacia consular quando confrontada com crises humanitárias em jurisdições de responsabilidade diversa. A investigação em Malé seguirá como foco central para esclarecer as responsabilidades e permitir que as famílias obtenham respostas.
Marco Severini — Espresso Italia