Tregua de 32 horas termina em ofensivas: Rússia e Ucrânia retomam ataques e trocam acusações

Tregua de 32 horas entre Rússia e Ucrânia acaba com retomada de ataques; ambos os lados relatam centenas de violações e ocorre troca de 175 prisioneiros.

Tregua de 32 horas termina em ofensivas: Rússia e Ucrânia retomam ataques e trocam acusações

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Tregua de 32 horas termina em ofensivas: Rússia e Ucrânia retomam ataques e trocam acusações

Por Marco Severini – Em um movimento que desenha, de forma brusca, mais um lance no tabuleiro regional, a breve tregua de 32 horas declarada para a Páscoa ortodoxa terminou com a retomada imediata dos ataques noturnos entre Rússia e Ucrânia. O cessar-fogo, anunciado com algum otimismo, converteu-se rapidamente num campo de disputa diplomática e de relatos divergentes sobre violações.

Segundo o comando da Força Aérea ucraniana, Moscou lançou 98 drones contra alvos ucranianos durante a janela acordada, dos quais 87 foram abatidos. O Ministério da Defesa russo, por seu turno, afirmou ter interceptado 33 drones ucranianos na última noite.

As contagens oficiais mostram uma percepção quase espelhada de infrações: o Estado‑Maior ucraniano reportou que, às 7h de domingo, foram contabilizadas 2.299 violações atribuídas à parte russa ao longo das 32 horas. O detalhamento incluiu 28 ações de assalto, 479 bombardeios, 747 ataques com drones de ataque e 1.045 ataques com drones FPV. Kiev ressaltou, contudo, que não houve registro de mísseis pesados, bombardeios aéreos com bombas guiadas ou utilização de drones Shahed nesse período.

Em retaliação de narrativa, o Ministério da Defesa da Rússia denunciou 1.971 violações imputadas às forças ucranianas entre as 16h de sábado e as 8h de domingo. De acordo com Moscou, houve 258 usos de artilharia ou tanques, 1.329 ataques com drones FPV e 375 lançamentos de munições a partir de aeronaves não tripuladas. As autoridades russas ainda afirmaram ter frustrado "três ataques noturnos" e "quatro tentativas de avanço" ao longo da linha de frente, sugerindo esforços para explorar a janela temporária para reposicionamentos táticos.

A tensão não impediu avanços humanitários limitados: confirmou‑se a troca de 175 prisioneiros, um gesto mínimo de coordenação mediatedo por canais diplomáticos internacionais e que, mesmo modesto, representa um movimento notável na arquitetura frágil das negociações.

O custo humano permanece, porém, doloroso. Na região de Poltava, destroços de um drone atingiram um estabelecimento comercial, causando uma vítima fatal. No Donetsk controlado por forças russas, duas pessoas morreram em decorrência de explosões atribuídas a drones.

Do Vaticano, durante o Regina Cæli, o Papa Leone XIV exortou a comunidade internacional a não desviar o olhar do drama da guerra, um apelo que ressoa frente à erosão dos alicerces da diplomacia. Paralelamente, o conflito mostra suas ramificações globais: em Brooklyn, foi preso Manfred Gruber, acusado pelo FBI de fornecer ilegalmente munições americanas à Rússia para sustentar a ofensiva — um indicativo de como as correntes do confronto atravessam sistemas jurídicos e mercados de armamento.

Em termos estratégicos, este episódio revela mais do que um fracasso temporário de um cessar-fogo: expõe a fragilidade das pausas pactuadas quando não existem garantias robustas de verificação e quando cada movimento no terreno pode ser interpretado como uma tentativa de redesenhar posições. No tabuleiro da geopolítica, a breve trégua foi tratada como uma janelinha tática que ambas as partes buscaram explorar, com consequências imediatas para civis e para a já delicada estabilidade regional.