Trump ameaça retirada de tropas dos EUA da Itália e da Espanha em duro ataque aos aliados europeus

Trump ameaça retirar tropas dos EUA da Itália e Espanha, criticando aliados e celebrando pressões sobre o Irã; repercussões para NATO e UE.

Trump ameaça retirada de tropas dos EUA da Itália e da Espanha em duro ataque aos aliados europeus

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Trump ameaça retirada de tropas dos EUA da Itália e da Espanha em duro ataque aos aliados europeus

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, sobre o tabuleiro diplomático, linhas de influência e obriga aliados a recalcular estratégias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu oficialmente a possibilidade de uma retirada de tropas norte-americanas da Itália e da Espanha. Em entrevista coletiva na Casa Branca, o Commander-in-Chief qualificou como “provável” o desengajamento do contingente americano nesses dois países, atribuindo a decisão à alegada falta de cooperação nas operações recentes no Oriente Médio.

Ao ser questionado sobre um eventual êxodo militar semelhante ao já anunciado para a Alemanha, Trump foi direto: “Por que eu não deveria? A Itália não nos ajudou e a Espanha foi horrível, absolutamente horrível”. A frase, crua em sua formulação, funciona como uma jogada de pressão sobre os alicerces da parceria transatlântica, forçando aliados a reagirem em termos práticos, não apenas retóricos.

O presidente voltou a criticar a NATO e o que descreveu como lentidão no apoio europeu. “E nós os ajudamos com a Ucrânia. Eles fizeram um desastre com a Ucrânia, um desastre total. E nós os ajudamos. A Ucrânia não tem nada a ver conosco; estamos separados por um oceano. É a porta deles”, afirmou, insistindo na ideia de que o ônus americano tem sido desproporcional e sem contrapartidas agilizadas.

Houve também afiados ataques à administração anterior e ao presidente Biden: segundo Trump, os US$350 bilhões destinados a Kiev teriam prolongado a guerra. “É um dos motivos pelos quais a guerra continuou. Mas quando precisamos deles, não estavam lá. Temos de nos lembrar disso”, declarou.

Não poupando Berlim, o presidente norte-americano mirou o chanceler Friedrich Merz e a gestão alemã: “A Alemanha está fazendo um trabalho péssimo. Tem problemas de imigração, energéticos, de todo tipo. E um grande problema com a Ucrânia”. Referindo-se a conversa sobre o nuclear iraniano, Trump disse que Merz o criticou, mas falhou ao responder se desejaria um Irã nuclear — uma espécie de xeque que pretende desestabilizar a narrativa adversária.

Paralelamente às críticas aos aliados, o presidente traçou um balanço triunfal da campanha americana contra o Irã, insistindo que Teerã estaria “encurralado”. Em declarações respaldadas por dados fornecidos pela Casa Branca, alegou que a marinha iraniana e sua aviação estariam praticamente destruídas, com fábricas de drones reduzidas em cerca de 82% e instalações de mísseis diminuídas em quase 90% — números que, se confirmados, apontariam para um impacto profundo na capacidade de projecção iraniana.

Trump complementou o quadro com a eficácia das sanções, ressaltando o efeito combinado das medidas econômicas e dos ataques militares contidos: “Eles não podem ter o nuclear”, afirmou, reafirmando a linha de pressão máxima. O conjunto das declarações representa um movimento decisivo no tabuleiro geopolítico: ao ameaçar retirar tropas de aliados históricos, Washington força uma reevalução das responsabilidades europeias na vizinhança do Mediterrâneo e no flanco sul da Aliança.

Do ponto de vista estratégico, esta é uma partida onde cada peça assume novo valor — alianças são testadas, compromissos são contabilizados, e a tectônica de poder transatlântica pode ver fronteiras invisíveis ser redesenhadas. Resta observar se Roma e Madrid responderão com ofertas concretas de cooperação ou se o jogo se traduzirá em distância maior entre os aliados e os interesses americanos.