Trump avalia ação militar contra o Irã enquanto mantém bloqueio do Estreito de Hormuz com 69 milhões de barris retidos
Trump recebe briefing do CENTCOM sobre ação militar contra o Irã; 41 navios retêm 69 milhões de barris no bloqueio do Estreito de Hormuz.
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Trump avalia ação militar contra o Irã enquanto mantém bloqueio do Estreito de Hormuz com 69 milhões de barris retidos
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, peça por peça, o tabuleiro geopolítico do Golfo, o presidente Trump deverá receber ainda hoje um novo briefing sobre planos potenciais para uma ação militar contra o Irã. A audiência será conduzida pelo comandante do CENTCOM, almirante Brad Cooper, segundo fontes consultadas pelo veículo Axios.
Se confirmado, o encontro sinalizaria que Trump está avaliando seriamente a retomada de operações em larga escala — tanto como instrumento para forçar uma reabertura das negociações quanto para, nas palavras de quem o cerca, “desferir o golpe final” antes de encerrar o conflito. No cerne da estratégia há duas frentes: uma pressão naval ofensiva para controlar parte do Estreito de Hormuz e uma opção terrestre limitada, além de operações das forças especiais destinadas a garantir estoques de urânio altamente enriquecido.
Uma fonte afirmou a funcionários da Casa Branca que o plano inclui a tomada de controle de pontos-chave do estreito para restabelecer a navegação comercial, operação que poderia envolver desembarques ou presença austera de tropas em ilhas e instalações costeiras. Outra alternativa, já debatida em ocasiões anteriores e que deverá ser apresentada também ao chefe do estado‑maior conjunto, general Dan Caine, prevê incursões de unidades especiais para assegurar reservas nucleares sensíveis.
O presidente descreveu, em declaração ao Axios, o bloqueio do Estreito de Hormuz como “um pouco mais eficaz do que bombardeios” e indicou que hoje essa medida constitui sua principal alavanca nas negociações. Fontes militares alertam, porém, para o risco de retaliações iranianas contra forças norte‑americanas na região — um movimento que poderia ampliar a tectônica de poder e empurrar rivais a reagirem de formas imprevisíveis.
O Comando Central dos EUA informou que as forças americanas já reorientaram 41 navios para o bloqueio dos portos iranianos. Segundo o almirante Brad Cooper, estão retidos 41 petroleiros com cerca de 69 milhões de barris de petróleo — um impacto econômico estimado em aproximadamente 6 bilhões de dólares em receitas que o regime não pode liquidar.
Em pronunciamento na Casa Branca, Trump reafirmou que só fechará um acordo com Teerã se este se comprometer a renunciar às armas nucleares: “Não haverá acordo a menos que aceitem renunciar a armamentos nucleares”, disse, observando ainda o quadro econômico interno iraniano como “um colapso” e um fator que, em sua avaliação, reduziria a resistência de Teerã.
Estrategicamente, trata‑se de um jogo de horizonte curto e risco elevado: controlar parte do estreito seria um movimento decisivo no tabuleiro, mas expõe os alicerces frágeis da diplomacia a choques que podem reconfigurar eixos de influência regionais. A manobra — naval, terrestre e de forças especiais — desenha um cenário em que a linguagem da coerção econômica e militar converge para forçar concessões nucleares, com riscos claros de escalada.
O precedente mais próximo remonta ao briefing do almirante Cooper em 26 de fevereiro, dois dias antes do que alguns descrevem como o início de hostilidades em maior escala entre Estados Unidos, aliados e o Irã. Hoje, como então, a leitura será tratada com a solenidade de um lance em partida onde cada peça representa vidas, recursos e equilíbrio estratégico.