Trump diz que conversas com o Irã continuam e pede acordo; Rubio elogia "Epic Fury" e alerta sobre drones
Trump reafirma diálogo contínuo com o Irã e exige acordo; Rubio elogia operação 'Epic Fury' e alerta sobre estoque de drones e a negociação do programa nuclear.
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Trump diz que conversas com o Irã continuam e pede acordo; Rubio elogia "Epic Fury" e alerta sobre drones
Por Marco Severini — Em um movimento calculado no tabuleiro diplomático, o presidente Donald Trump desmentiu relatos de um rompimento nas comunicações com o Irã, afirmando que as conversas estão em curso e que chegou a 'hora do acordo'. Em publicação na plataforma Truth, Trump declarou que as negociações não foram interrompidas e que mensagens e contatos ocorreram 'quatro dias atrás, três dias atrás, dois dias atrás, ontem e hoje'. Sobre o resultado, manteve reserva, mas foi enfático: 'É hora, de um jeito ou de outro, de fazer um acordo. Assim tem sido por 47 anos e não podemos permitir que continue'.
Paralelamente, o senador Marco Rubio, em seu primeiro pronunciamento ao Congresso desde o início do conflito, avaliou como bem-sucedida a ofensiva norte-americana batizada de Epic Fury. Segundo Rubio, a operação cumpriu seus objetivos militares ao degradar de modo substancial a defesa iraniana e reduzir a capacidade de fabricação de mísseis do país.
Não obstante, o parlamentar alertou para a persistente capacidade iraniana de empregar aeronaves não tripuladas. 'Eles ainda têm muitos drones, sabemos disso porque são fáceis de produzir', disse, traçando um cenário no qual a inferiorização de sistemas mais sofisticados não elimina a ameaça assíncrona que drones representam.
Rubio também informou que, nesta fase, o Irã e os Estados Unidos mantêm canais de interlocução que, pela sua natureza, demandam intermediários. E, pela primeira vez — segundo sua leitura — Teerã teria aceitado abordar aspectos do seu programa nuclear, algo que meses atrás era refutado categoricamente. 'Há uma perspectiva que pode se concretizar hoje, amanhã ou na próxima semana: pela primeira vez, pelo que recordo, eles aceitaram negociar alguns pontos do seu programa nuclear', afirmou.
No capítulo interno iraniano, Rubio trouxe observações sobre a retomada das atividades da nova liderança suprema do país. A nova figura, identificada como Mojtaba Khamenei, teria se mantido ausente por cerca de um mês após ter sido gravemente ferida no mesmo ataque que alterou o cenário político. Há, segundo o senador, indícios de que ele esteja voltando gradualmente à cena, ainda que com prudência e comunicação majoritariamente por via escrita.
Do ponto de vista geopolítico, o que assistimos é um redesenho de fronteiras invisíveis na tectônica de poder da região: movimentos discretos, mas decisivos, que alternam coercitivo e negociador como peças num tabuleiro. A insistência de Trump para converter o diálogo em acordo e a avaliação beligerante de Rubio sobre o impacto militar compõem uma arquitetura de pressão que busca tornar mais sólidos — ou ao menos mais previsíveis — os alicerces frágeis da diplomacia.
Resta observar se o repertório presente conduzirá a um acordo concreto ou se se tratará de uma sucessão de jogadas táticas para remodelar zonas de influência. Em qualquer cenário, a presença de intermediários, a evolução do debate sobre o programa nuclear e a capacidade de produção de drones emergem como variáveis-chave que definirão o próximo movimento neste tabuleiro estratégico.