Trump otimista sobre acordo com o Irã; Teerã reclama de cláusulas e cria autoridade para Hormuz

Trump diz que um acordo com o Irã é possível; Teerã rejeita cláusulas e cria autoridade para o Estreito de Hormuz. Avaliação final esperada hoje.

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Trump otimista sobre acordo com o Irã; Teerã reclama de cláusulas e cria autoridade para Hormuz

Donald Trump aguarda para hoje uma resposta formal de Teerã ao plano norte-americano que visa encerrar fase ativa do conflito no Médio Oriente e abrir uma nova janela de negociações. Em tom calculado, o ex-presidente reafirmou que "uma intesa é muito possível", repetindo seu foco na exit strategy que o coloca como o ator que pretende sair do tabuleiro como vencedor.

Do outro lado da mesa, o negociador iraniano Abbas Araghchi temperou as expectativas de Washington, qualificando como "inaceitáveis" diversas cláusulas do memorando de 14 pontos apresentado pelos Estados Unidos. As avaliações internas em Teerã continuam em curso, enquanto a imprensa americana e interlocutores diplomáticos informam que uma resposta pode chegar até o fim do dia.

O documento, segundo fontes próximas às negociações, prevê compromissos substanciais do Irã, incluindo moratória de até 12 anos no enriquecimento de urânio e um regime de inspeções reforçado, possivelmente com maior papel de inspetores das Nações Unidas. Em contrapartida, os Estados Unidos colocam na mesa a revogação gradual de sanções e a liberação de bilhões em ativos iranianos congelados. Ambas as partes estariam, ainda, de acordo em terminar restrições sobre o Estreito de Hormuz como sinal de normalização do tráfego marítimo.

Na prática de poder, porém, múltiplos vetores podem desestabilizar o roteiro. Autoridades israelenses reacenderam retórica beligerante: o chefe do IDF, Zamir, pediu um retorno ao conflito e um oficial da mesma força afirmou em rádio não ter sido informado sobre qualquer acordo entre EUA e Irã. Essa reação de Tel Aviv representa uma peça que pode mover adversos no tabuleiro diplomático e complicar a implementação de qualquer pacto.

A resposta iraniana também chegou na forma de instrumento administrativo: em paralelo ao debate sobre o memorando, Teerã anunciou a criação da "Persian Gulf Strait Authority" — uma autoridade para o Estreito de Hormuz que regulará o trânsito naval mediante emissão de permissões e cobrança de pedágios. Trata-se de um gesto de soberania projetado para reforçar alicerces do controle estratégico sobre uma via vital de energia global.

O memorando teria sido elaborado pelos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner em diálogo com interlocutores iranianos. Na Casa Branca, Trump demonstrou pressa calculada: pretende concluir entendimentos antes de sua viagem à China, agendada para 14 e 15 de maio, e recentemente anunciou a suspensão do Project Freedom, abrindo espaço político para a possibilidade de assinatura.

Do ponto de vista geopolítico, assistimos a um movimento decisivo no tabuleiro — uma tentativa de redesenhar fronteiras invisíveis de influência entre grandes potências, atores regionais e mecanismos institucionais. Mas os alicerces da diplomacia permanecem frágeis: cláusulas contestadas, vetos estratégicos de aliados e iniciativas unilaterais como a nova autoridade em Hormuz compõem uma tectônica de poder que tornará a execução do acordo tão complexa quanto sua concepção.

Marco Severini — Espresso Italia