Trump anuncia fim da guerra com o Irã: acordo em Genebra prepara cerimônia, diz Axios
Trump diz que os EUA encerraram a guerra com o Irã; acordo em Genebra deve ser assinado por J.D. Vance; detalhes ainda não confirmados por Teerã.
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Trump anuncia fim da guerra com o Irã: acordo em Genebra prepara cerimônia, diz Axios
Por Marco Severini — Em um movimento que reconfigura a tectônica de poder no Oriente Médio, o presidente americano Trump afirmou na noite passada que os Estados Unidos colocaram termo à guerra com o Irã. A declaração, proferida durante comício telefônico de apoio ao candidato Burt Jones à governadoria da Geórgia, foi acompanhada de detalhes sobre uma solução negociada que, segundo fontes americanas, está prestes a ser formalizada.
Segundo relatos de imprensa e comunicações oficiais, o cerne do entendimento inclui um compromisso iraniano de não se dotar de armas nucleares — item que, conforme a Casa Branca, representava «95% da questão». Apesar do tom de vitória transmitido pelo presidente, os termos completos do acordo não foram tornados públicos e Teerã ainda não confirmou formalmente a finalização do pacto.
Fontes consultadas pelo site Axios informam que a assinatura ocorrerá em Genebra. A logística já se move: quatro aeronaves da Força Aérea americana foram despachadas para a Europa com equipamento destinado a apoiar uma cerimônia na qual o vice-presidente J.D. Vance deverá rubricar o texto em nome de Washington. A Casa Branca prepara o cenário cerimonial enquanto as capitais tentam decifrar, por entre comunicações e vazamentos, os contornos reais do entendimento.
No terreno operacional, um funcionário dos Estados Unidos disse à Reuters que duas unidades — drones iranianos — foram interceptadas enquanto tentavam atacar navios no Estreito de Ormuz. O tráfego comercial na passagem marítima permanece ativo, segundo a mesma fonte, o que indica um equilíbrio delicado entre ação militar e contenção diplomática.
Em conversas separadas com a imprensa, Trump sublinhou que o papel do G7 e das lideranças europeias foi, na sua avaliação, «irrilevante»: «Nós vencemos a guerra sozinhos», afirmou, numa formulação que busca projetar autonomia estratégica americana e consolidar um movimento decisivo no tabuleiro geopolítico. A declaração, no entanto, provocou atrito. Fontes de Israel relataram que o primeiro-ministro Netanyahu não foi informado previamente sobre o anúncio, tendo sido surpreendido pela súbita divulgação de um acordo iminente.
Do lado árabe, o Egito convidou as partes a aproveitar «a oportunidade disponível» para cimentar uma fase de estabilidade regional. Em Teerã, elementos oficiais descrevem o texto como «quase pronto», mas ressaltam que ainda faltam ajustes e validações internas antes de qualquer confirmação pública.
O episódio reflete um redesenho de fronteiras invisíveis na diplomacia: decisões rápidas, comunicações estratégicas e a montagem de um ato público que busca consolidar uma vitória narrativa. Ainda que a assinatura em Genebra pudesse ocorrer já neste fim de semana, a prudência diplomática recomenda aguardar a confirmação de todas as partes envolvidas e a divulgação dos termos que, em última instância, moldarão a estabilidade regional.
Em paralelo, autoridades civis de Teerã anunciaram o adiamento de cerimônias públicas relacionadas ao conflito, numa demonstração de que, mesmo diante de acordos, os alicerces simbólicos da diplomacia permanecem frágeis.
O que se desenha é um movimento de alcance global: um Estado que, segundo sua liderança, resolveu uma guerra sem major apoio externo, uma assinatura em terreno neutro e uma série de riscos latentes — interceptações no Estreito, reações regionais e a necessidade de conferir credibilidade a compromissos que afetarão a arquitetura nuclear e estratégica do Oriente Médio.