Trump diz que relação com Meloni mudou após crise com o Irã: 'Não nos ajudou'

Trump afirma que relação com Meloni mudou após disputa sobre o Irã; acusa Itália de não ajudar e questiona compromisso da NATO.

Trump diz que relação com Meloni mudou após crise com o Irã: 'Não nos ajudou'

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Trump diz que relação com Meloni mudou após crise com o Irã: 'Não nos ajudou'

Washington — Em um novo e direto ataque à primeira-ministra italiana, o ex-presidente americano Donald Trump afirmou que a relação entre os Estados Unidos e a Itália mudou após as tensões ligadas ao conflito com o Irã. "Meloni não nos ajudou. Nosso relacionamento não é mais o mesmo", declarou Trump em entrevista à Fox News, numa frase que reverberou nos corredores diplomáticos de Roma e Washington.

Com a sobriedade de quem observa um tabuleiro de xadrez em rearranjo, o presidente — ainda figura de influência relevante na política americana — qualificou como "negativa" a postura italiana no episódio. "Não temos mais o mesmo relacionamento com quem se recusou a nos ajudar", disse, ressaltando que a Itália recebe muito petróleo através do Estreito de Hormuz, argumento usado para sustentar sua reprovação às escolhas de Roma.

Na mesma entrevista, Trump voltou a questionar o papel da NATO, pondo em dúvida o compromisso dos aliados: "A NATO não estava ao nosso lado. E isso significa que se não estão agora, também não estarão no futuro. Então por que deveríamos? Por que gastamos centenas de bilhões de dólares por ano na NATO se não vão nos apoiar?". O argumento se soma ao quadro de uma tectônica de poder em que aliados tradicionais são reavaliados segundo interesses imediatos e capacidade de respaldo em crises.

Observadores de política externa percebem, no discurso, uma tentativa de redesenhar linhas de influência: se um aliado não sustenta Washington em um movimento estratégico no Oriente Médio, sua utilidade no tabuleiro é questionada. "Se não nos apoiarem na questão iraniana, não nos apoiarão em temas ainda mais importantes", avisou Trump, enfatizando a lógica de reciprocidade que guia sua visão realista das alianças.

É o segundo ataque público de Trump contra Giorgia Meloni em menos de 24 horas. A premiê, até o momento, optou por não responder diretamente às provocações. Em Roma, porém, a resposta política foi imediata e de caráter amplamente bipartidário: ministros, membros da maioria e líderes de oposição denunciaram a agressão verbal e reafirmaram a defesa dos interesses nacionais.

O líder da Lega, Matteo Salvini, declarou solidariedade a Meloni, lembrando que ataques ao chefe do governo e ao Papado merecem condenação. Para Salvini: "Se Trump ataca o Papa erra; se ataca o governo italiano erra também" — um apoio que busca fechar fileiras diante do que é percebido como um ataque à soberania política de Roma.

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Luca Ciriani, foi incisivo: entre aliados é preciso dizer as coisas como são. "Quando é o caso de dizer, dizemos. Meloni continua sendo uma grande mulher e líder: defende os interesses da Itália e o faz a qualquer preço", afirmou, reforçando a narrativa de defesa nacional contra pressões externas.

Em síntese, o episódio expõe fragilidades e recalibragens: enquanto Washington debate confiança e reciprocidade, Roma reafirma seus alicerces políticos e busca preservar autonomia. No grande tabuleiro diplomático, cada movimento vocal reconfigura possibilidades futuras — e a relação italo-estadunidense entra agora em fase de reavaliação estratégica.