Trump anuncia morte de Abu Bilal al-Minuki, ‘número 2’ do ISIS, em operação conjunta EUA–Nigéria
Trump anuncia morte de Abu Bilal al-Minuki em operação conjunta EUA–Nigéria; golpe ao ISWAP enquanto tensão com o Irã aumenta.
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Trump anuncia morte de Abu Bilal al-Minuki, ‘número 2’ do ISIS, em operação conjunta EUA–Nigéria
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Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, ainda que temporariamente, as linhas de influência sobre o Sahel, o Presidente Donald Trump anunciou a morte de Abu Bilal al-Minuki, apontado como o "segundo comandante do ISIS a nível global" e descrito como "o terrorista mais ativo do mundo". O óbito foi comunicado por meio de uma publicação oficial do ex-presidente e atribuído a uma operação militar noturna conduzida em parceria entre as forças dos Estados Unidos e do governo da Nigéria.
A ação integra a sequência de esforços norte-americanos para neutralizar as estruturas jihadistas no continente africano. A Casa Branca e Ancara da Nigéria, em coordenação, teriam executado um ataque meticulosamente planejado, segundo as palavras do próprio Trump: "le forze americane e le forze armate della Nigeria hanno eseguito in modo impeccabile una missione meticulosa e molto complessa". O Presidente ressaltou ainda que suas fontes de inteligência manteriam vigilância constante sobre os movimentos de al-Minuki, que acreditava poder se refugiar no continente sem ser localizado.
Abu Bilal al-Minuki foi designado em 2023 como "Specially Designated Global Terrorist" pelas autoridades dos EUA. A figura era referenciada como um dirigente militar rigoroso dentro da divisão do Lago Chade da Direcção Geral das Províncias (GDP) do Estado Islâmico, e ocupava um papel central na organização conhecida como ISWAP — a Província do Estado Islâmico na África Ocidental. Seu perfil e comando o tornaram peça-chave nas campanhas e nos atentados que desestabilizam a região do Sahel.
O episódio se soma a um palco nigeriano já marcado por fraturas internas: episódios recentes incluem sequestrros massivos, como o rapto de 303 estudantes e 12 professores da escola cristã St. Mary, e outras incursões semanais em áreas como Kebbi. A gravidade desses eventos levou o presidente Tinubu a rever compromissos internacionais, incluindo alterações em sua agenda no G20.
Do ponto de vista estratégico, a operação contra al-Minuki representa um movimento calculado no tabuleiro mais amplo da luta contra o islamismo radical. Reduzir a capacidade operacional de uma liderança como a de al-Minuki tem efeito psicológico e logístico nas cadeias de comando adversárias, embora não elimine as causas profundas da expansão jihadista na região: fragilidade estatal, rotas de tráfico, e rivalidades locais que atuam como terreno fértil.
Paralelamente, a retórica de Trump indica um provável redobramento de confrontos em outro eixo sensível: o Irã. O ex-presidente afirmou estar "próximo a retomar os raid" contra Teerã, uma declaração que reacende a tensão no tabuleiro do Médio Oriente e que deve ser lida como postulação de poder, mais do que como gesto meramente simbólico. Em termos de realpolitik, a conjugação de ações na África e ameaças no Golfo denota uma tentativa de recompor uma esfera de influência ampla, usando projeção militar e inteligência como alicerces.
Em resumo, a eliminação de al-Minuki é um golpe pontual que desgasta a liderança do ISWAP e reduz temporariamente a capacidade ofensiva do ISIS na região. Porém, como em toda partida de xadrez estratégico, a captura ou remoção de uma peça importante altera o posicionamento das demais: surgirão sucessores, reagrupamentos e adaptações táticas. A estabilidade duradoura dependerá não só de operações militares cirúrgicas, mas de políticas que consolidem instituições locais e cortem as vias de financiamento e recrutamento jihadista.
Marco Severini é analista sênior de geopolítica e estratégia internacional para a Espresso Italia.