Trump e Netanyahu discutem retomada de ataques ao Irã enquanto diplomacia acelera mediação paquistanesa

Trump e Netanyahu avaliam retomada de ataques ao Irã; Centcom atualiza bloqueio no Estreito de Hormuz e Paquistão intensifica mediação em Teerã.

Trump e Netanyahu discutem retomada de ataques ao Irã enquanto diplomacia acelera mediação paquistanesa

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Trump e Netanyahu discutem retomada de ataques ao Irã enquanto diplomacia acelera mediação paquistanesa

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, página a página, o tabuleiro de influência no Oriente Médio, o presidente dos EUA, Donald Trump, manteve uma conversa telefônica com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na qual foi discutida a possibilidade de uma retomada dos ataques contra o Irã. A interlocução, segundo o canal público israelense Kan, durou mais de meia hora e incluiu ainda um relato de Trump sobre sua recente viagem à China.

O episódio ocorre em paralelo ao reforço da presença marítima dos Estados Unidos no Golfo. Desde que foi instituído o bloqueio nas imediações do Estreito de Hormuz, em 13 de abril, o Comando Central norte-americano (Centcom) informa que 81 navios foram desviados e quatro foram bloqueados, atualizando o balanço da operação — três embarcações a mais do que o comunicado anterior do Pentágono, que havia indicado 78 embarcações paradas.

No plano diplomático, emergem esforços de mediação. O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, concluiu um encontro de cerca de três horas com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian no palácio presidencial em Teerã. A repetição da informação pelos meios persas sublinha a intenção de Islamabad de assumir um papel de facilitador entre Washington e a República Islâmica — um movimento que altera, sutilmente, o eixo de influências na região.

Em declarações à imprensa, Trump afirmou acreditar que o Irã tem “interesse a alcançar um acordo”. Em entrevista ao correspondente da BFM TV, Antoine Heulard, o presidente dos EUA relativizou a previsibilidade do desfecho: “Não ne ho idea. Se non lo raggiungono, passeranno dei brutti momenti. Hanno interesse a raggiungere un accordo”, disse, reiterando que ainda não decidiu se retomará os ataques, decisão que, segundo a imprensa americana e o New York Times, poderia ser tomada nas próximas horas.

Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou em Nova Délhi ter recebido mensagens de Washington favoráveis à retomada das negociações, e admitiu abertura para assistência de Pechino. O presidente Pezeshkian, por sua vez, declarou que o Irã permanece comprometido com a diplomacia e com soluções pacíficas.

Em termos estratégicos, assistimos a um duplo movimento: de um lado, a possibilidade concreta de reativação do uso da força — discutida no diálogo Trump‑Netanyahu — que representaria um movimento decisivo no tabuleiro; de outro, a tentativa de construir alicerces diplomáticos por vias alternativas, como a mediação paquistanesa e a influência chinesa nas conversações. A tectônica de poder aqui não é apenas militar, é também arquitetônica: quem consegue desenhar corredores diplomáticos pode condicionar o ritmo e a intensidade do conflito.

Enquanto as contagens de navios desviados e bloqueados atualizam o compasso operacional, os gestos embaixatórios em Teerã e as entrevistas nos bastidores em Washington medem a capacidade real de transformar intenção em desfecho. A decisão que se aproxima, possivelmente nas próximas horas, pode recolocar peças importantes sobre o tabuleiro estratégico do Oriente Médio, definindo, mais uma vez, limites e possibilidades para a estabilidade regional.