Trump em Pequim com 16 CEOs: Xi recebe o presidente norte-americano; Irã, tarifas, terras raras e Taiwan dominam a agenda

Trump visita Xi em Pequim (13-15/05/2026): Irã, tarifas, terras raras e a possível venda de armas a Taiwan dominam a agenda entre EUA e China.

Trump em Pequim com 16 CEOs: Xi recebe o presidente norte-americano; Irã, tarifas, terras raras e Taiwan dominam a agenda

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Trump em Pequim com 16 CEOs: Xi recebe o presidente norte-americano; Irã, tarifas, terras raras e Taiwan dominam a agenda

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, com cautela, partes do tabuleiro diplomático, Donald J. Trump retornou à China nove anos após sua última visita presidencial ao país. A missão, de 13 a 15 de maio de 2026, traz o peso simbólico de um encontro entre dois líderes que se alternam no papel central da tectônica contemporânea: Xi Jinping e o magnata convertido em chefe de Estado, agora acompanhado de 16 executivos de alto escalão.

Os temas anunciados — Irã, tarifas (dazi), terras raras, tecnologia, inteligência artificial, e a eventual venda de armas a Taiwan — compõem um painel complexo onde interesses de segurança, economia e projeção estratégica se entrelaçam. A reunião é a primeira de um presidente americano em solo chinês desde 2017, conferindo à visita um significado além do protocolo: trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro que define influência e dependências mútuas.

Na abertura, marcada para a Grande Sala do Povo, os dois líderes devem estabelecer o tom: proximidade controlada, rivalidade gerida. Há declarações públicas de Washington que minimizam a necessidade de cooperação chinesa sobre Teerã — "Não precisamos da ajuda da China sobre o Irã", indicou o presidente americano —, mas no jogo realista da diplomacia, tais enunciados frequentemente dissimulam a busca por alavancas e concessões discretas.

O dossier das tarifas permanece um dos pontos mais sensíveis. A economia global, em muitas frentes, continua dependente de fluxos comerciais que, quando interrompidos, reconfiguram cadeias de valor. Paralelamente, as terras raras e a tecnologia associada revelam as assimetrias estratégicas: Pequim detém posições vantajosas em matérias-primas e cadeias industriais cuja segurança é hoje preocupação geoestratégica em Washington.

A questão de Taiwan e a possível venda de armas americanas à ilha elevam o risco político-militar do encontro. Esse tema atravessa o encontro como uma partida de xadrez em que cada peça exige cálculo e credibilidade: garantias de defesa e sinais de contenção, simultaneamente.

O roteiro do contato é formal e cuidadosamente coreografado. Hoje, Trump foi recebido por Xi na Grande Sala do Povo e, à noite, participará de um banquete de Estado às 18h. Na sexta-feira, 15 de maio, está prevista a foto oficial de amizade às 11h30, seguida por um "bilateral tea" às 11h40 — com presença de jornalistas — e, posteriormente, um almoço bilateral fechado à imprensa, antes do retorno a Washington.

O presidente norte-americano chega acompanhado por 16 CEOs de grandes empresas dos Estados Unidos, com a intenção declarada de discutir a criação de um conselho para investimentos e outro para o comércio bilateral. A essência da proposta é simples: abrir canais institucionais que facilitem capital e tecnologia, ao mesmo tempo que resguardem interesses estratégicos.

Como analista, vejo essa visita como uma tentativa de estabilizar um eixo de influência e reduzir choques sistêmicos entre as duas potências. Em termos práticos, é um esforço por solidificar alicerces frágeis da diplomacia, buscando transformar zonas de atrito em fóruns de gestão de risco. O sucesso dependerá menos de retórica e mais da capacidade de construir mecanismos confiáveis — verdadeiros conselhos e regras de convivência — que operem no longo prazo.

Em suma: a partida diplomática em Pequim tem importância que transcende signos e fotografias; trata-se de negociar as regras de uma era na qual tecnologia, recursos estratégicos e segurança se entrelaçam em desafios sistêmicos.