Yassamin Ansari anuncia pedido de impeachment contra Pete Hegseth por gestão das operações no Irã
Deputada Yassamin Ansari anuncia impeachment contra Pete Hegseth e pede uso da 25ª Emenda contra Trump, alegando riscos às tropas e crimes de guerra.
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Yassamin Ansari anuncia pedido de impeachment contra Pete Hegseth por gestão das operações no Irã
Por Marco Severini — Em um movimento que altera o tabuleiro da política de defesa norte-americana, a deputada democrata do Arizona Yassamin Ansari declarou que apresentará uma moção de impeachment contra o secretário de Defesa, Pete Hegseth. A informação foi divulgada por Axios e marca uma escalada institucional na reação às recentes decisões do Pentágono quanto às operações relacionadas ao conflito com o Irã.
Ansari acusa Hegseth de ter “repetidamente violado seu juramento de cargo e o dever para com a Constituição”, argumentando que a condução das ações militares autorizadas pelo secretário configuraria, segundo ela, autorizações de “crimes de guerra” e colocariam “em risco os militares estadunidenses”. Essa alegação constitui, na avaliação da deputada, motivo suficiente para a destituição e para a remoção do cargo.
Além do pedido de impeachment, a parlamentar iraniano-americana instou o gabinete presidencial a invocar o 25º Emenda — mecanismo constitucional que permite a destituição do presidente — para remover o presidente Donald Trump do exercício do cargo. Ansari fundamentou sua solicitação nas “declarações delirantes sobre a guerra” por parte do presidente, sublinhando que “estão em jogo o destino das tropas americanas, do povo iraniano e os próprios alicerces do sistema global”.
O apelo à aplicação da 25ª Emenda não é isolado. Diversos legisladores, não apenas no flanco Democrata, já sinalizaram preocupações semelhantes. Entre os nomes citados estão o senador do Connecticut Chris Murphy e, de forma mais inesperada, a congressista Marjorie Taylor Greene, que em recente mudança de tom definiu o presidente como “fora de controle”.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento que vai além de uma disputa partidária: redesenha, ainda que provisoriamente, uma fronteira institucional entre o poder civil e a gestão militar. Em termos de diplomacia e segurança, a iniciativa de Ansari representa um movimento decisivo no tabuleiro, buscando rearticular responsabilidade e prestação de contas sobre o comando das operações que têm implicações transnacionais.
O impacto prático do pedido de impeachment dependerá do apoio entre pares no Congresso, do trânsito político entre Câmara e Senado e da capacidade de traduzir as acusações em provas processuais. Enquanto isso, a invocação do 25º Emenda permanece uma ferramenta constitucional extrema, cujo uso abriria uma fase de alta volatilidade institucional e poderia provocar um redesenho de influências na política externa americana — a tectônica de poder em movimento.
Em suma, a ação de Yassamin Ansari revela tanto a pressão doméstica sobre as escolhas de segurança quanto a sensibilidade geopolítica de decisões tomadas sob o manto do comando militar. O desfecho dependerá de cálculos políticos, da solidez das evidências apresentadas e da vontade do Congresso em assumir um gesto de grande impacto geoestratégico.