Zelensky amplia aliança com nove países do Golfo para transferência de técnicas anti-drone
Zelensky amplia cooperação com nove países do Golfo em técnicas anti-drone e segurança marítima, consolidando acordos estratégicos globais.
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Zelensky amplia aliança com nove países do Golfo para transferência de técnicas anti-drone
Por Marco Severini — A Ucrânia, sob a liderança de Zelensky, intensificou uma ofensiva diplomática silenciosa e técnica com Estados do entorno do Golfo Pérsico, oferecendo sua vasta experiência em defesa contra veículos aéreos não tripulados. Em um movimento de alto valor estratégico, Kiev tem transferido know-how, sistemas de defesa e programas de treinamento para capacitar parceiros regionais diante de ameaças assimétricas.
O presidente ucraniano, em publicação no Telegram, acompanhou o relatório de Rustem Umerov sobre a conclusão da primeira fase de trabalho com parceiros no Médio Oriente e na região do Golfo. Segundo a comunicação oficial, a intenção é que a competência militar ucraniana passe a ser reconhecida como um pilar concreto para a proteção dos aliados, traduzindo a experiência de combate em um ativo de segurança coletiva.
Nas palavras citadas por Zelensky, "É importante que a competência militar ucraniana seja reconhecida e que a experiência de combate dos nossos soldados se torne um elemento fundamental para a proteção dos nossos parceiros. Cada nação merece segurança e estamos prontos a apoiar de forma célere e eficaz aqueles que apoiam nosso Estado e nossa independência."
O escopo das transferências cobre tanto a proteção contra ataques com drones e outros tipos de aeronaves, quanto a resolução de problemas de segurança marítima. Kiev sublinha que a experiência adquirida no Mar Negro é aplicável a rotas marítimas de importância global, oferecendo soluções para escolta, detecção e neutralização de ameaças no mar.
O levantamento dos interlocutores já incluídos é extenso: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Jordânia, Turquia, Síria, Omã, Kuwait e Bahrein. Ademais, houve solicitações formais do Iraque e contatos preliminares com países do Cáucaso, bem como com Estados da Ásia Oriental e do Sudeste Asiático. A Ucrânia também reporta demandas concretas de Estados africanos.
Em paralelo, Brasília de Kiev prepara bases para acordos de segurança mais aprofundados com países europeus, com expectativa de resultados concretos ainda nesta semana. O presidente instruiu o Secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia a finalizar os rascunhos de diversos novos acordos de segurança e prepará-los para assinatura. A mensagem final do comunicado foi enfática: "Gloria all'Ucraina!"
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento calculado que redesenha, discretamente, eixos de influência e rotas de cooperação militar. A exportação de capacidades anti-drone e de experiência naval não é apenas transferência técnica: é um reposicionamento geopolítico, a construção de alicerces de segurança que projetam a influência ucraniana para além de suas fronteiras imediatas. No tabuleiro das grandes potências, cada acordo assinado representa um avanço posicional, uma peça colocada para fortalecer cadeias de segurança e gerar dependências técnicas e políticas.
Para os países do Golfo, a oferta ucraniana representa um reforço pragmático frente a ameaças de baixa assinatura tecnológica, onde o conhecimento operacional e a adaptação tática são tão valiosos quanto o equipamento. Para Kiev, é a abertura de novas frentes de suporte e legitimidade internacional, ampliando parceiros em múltiplas latitudes — da África ao Leste Asiático — e consolidando um bloco de cooperação que poderá ter reflexos duradouros na tectônica de poder regional.