Cinco minutos com Mattarella: iluminei a urgência da biodiversidade do oceano em Castelporziano
Em cinco minutos com Mattarella, resumi o papel do oceano e a urgência da biodiversidade, do micro ao macro, em Castelporziano.
RESUMO ✦
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Cinco minutos com Mattarella: iluminei a urgência da biodiversidade do oceano em Castelporziano
Havia, de fato, apenas cinco minutos. A imagem é simples: estar no elevador com o Presidente da República e ter o tempo exato da subida ou da descida para dizer o essencial. Nas ciências da comunicação chamamos isso de "elevator talk" — a arte de lançar uma isca verbal que acenda um interesse. Foi esse desafio que encarei durante o evento da Fundação Marevivo em Castelporziano, por ocasião do dia mundial da biodiversidade.
Como vice-presidente da Fundação Marevivo e presidente do conselho científico (cargos não remunerados), a presidente Rosalba Giugni confiou-me a missão de apresentar ao Presidente Mattarella a exposição Only One, a instalação que viajou pelo mundo a bordo do Amerigo Vespucci. Os painéis estavam dispostos sob o pórtico do palácio: havia pouco tempo para a mostra Elogio da Biodiversidade, organizada pelo National Biodiversity Future Center, e mais cinco minutos reservados para a conversa sobre a exposição Only One. Cinco minutos parecem pouco — e, de fato, são — mas servem para lançar pontinhos de luz que, unidos, revelam um caminho.
Concentrei a mensagem em conceitos simples, claros e essenciais, porque clareza é aquilo que nos permite agir. Entre os pontos que destaquei estavam fatos que muitos desconhecem, embora definam o destino do planeta:
- O oceano cobre 71% da superfície terrestre, mas, por ser um volume, representa mais de 90% do espaço habitável pela vida na Terra.
- Existe um grande "nastro transportador" oceânico — a corrente termoalina — impulsionada pela formação de gelo nas regiões polares, que conecta todos os oceanos e modula o clima global.
- O clima não é apenas um fenômeno atmosférico; é também um fenômeno oceânico. Atmosfera e oceano se conversam continuamente, e a ruptura dessa conversa — pelo aquecimento global — muda a corrente e aumenta a frequência e a intensidade de eventos extremos.
- O custo de não realizar a transição prevista pelo Green Deal é exatamente esse: mais eventos extremos, mais disrupção, menos horizonte límpido para as próximas gerações.
- Em termos de conhecimento: a Itália incluiu biodiversidade e ecossistemas no Artigo 9 da Constituição, um gesto jurídico que precisa encontrar tradução prática nas políticas públicas.
- Na base dos ecossistemas oceânicos estão seres que pouco chamam atenção: as diatomáceas são as plantas (no sentido de organismos fotossintetizantes) mais importantes para o funcionamento planetário; os copépodes são os animais mais fundamentais; e, acima de tudo, as bactérias governam ciclos bioquímicos vitais.
Em cinco minutos não se entrega um tratado; entrega-se, porém, uma semente. Minha intenção foi semear compreensão: que a proteção das espécies e dos processos — desde as diatomáceas até as grandes correntes — é um investimento que ilumina o futuro comum. É um chamado à ciência aplicada, à educação pública, à criação e ampliação de áreas marinhas protegidas e a políticas que traduzam a Constituição em proteção efetiva.
Ao falar com o Presidente, tentei também deslocar o foco do mero espetáculo para a responsabilidade concreta: como transformar a admiração pela beleza da exposição Only One em passos concretos — financiamento para pesquisa, monitoramento contínuo do Mediterrâneo, incentivo às práticas pesqueiras sustentáveis, combate à poluição plástica e microplástica, e apoio a iniciativas comunitárias costeiras.
Saí daquele encontro com a sensação de que plantamos uma pequena fagulha de entendimento. A luz que acendemos naquele pórtico de Castelporziano precisa ser espalhada: através de políticas robustas, parcerias entre ciência e sociedade e uma narrativa pública que recupere o respeito pelos processos invisíveis que sustentam a vida. É assim que se tecem laços duradouros entre consciência e ação — um renascimento cultural que nos permite cultivar valores e garantir um legado para as futuras gerações.
Se há um aprendizado prático naquela curta conversa é este: ideias complexas requerem metáforas claras e passos concretos. Em cinco minutos é possível iluminar um caminho; cabe-nos, depois, percorrê-lo com coragem e sabedoria.