Lucros das petroleiras com a guerra no Irã e a urgência de taxar extraprofitos

Crise no Estreito de Hormuz impulsiona preços do petróleo; especialistas e ativistas pedem taxar extraprofitos das petrolíferas para proteger sociedade.

Lucros das petroleiras com a guerra no Irã e a urgência de taxar extraprofitos

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Lucros das petroleiras com a guerra no Irã e a urgência de taxar extraprofitos

Enquanto o conflito no Oriente Médio acende novos focos de tensão, os gigantes dos combustíveis fósseis voltam a ser acusados de transformar a crise em oportunidade financeira. O mercado global do petróleo vive volatilidade extrema: antes da escalada militar contra o Irã, o Brent — referência mundial — oscilava entre US$60 e US$70 por barril (cerca de €52–60). Após um declínio momentâneo, as cotações voltaram a ultrapassar os US$100 por barril (aprox. €86,5) no dia 12 de março, em resposta a um novo ataque no Golfo contra três navios cargueiros.

O ponto nevrálgico é o estreito de Hormuz, um corredor marítimo de apenas cerca de 38 quilômetros que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. É por ali que passa cerca de um quinto das exportações de petróleo do planeta — algo em torno de 20 milhões de barris por dia — e qualquer perturbação ali reverbera nos preços mundiais.

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Teerã tem mantido ataques a embarcações comerciais na região e anteriormente chegou a declarar o trecho interditado à navegação. Se o tráfego não for rapidamente restabelecido, analistas alertam que o preço do petróleo poderá se manter acima da barreira dos US$100 por barril.

Relatórios da consultoria Wood Mackenzie indicam que produtores do Oriente Médio poderão tentar desviar fluxos por oleodutos alternativos, como o corredor leste-oeste rumo ao Mar Vermelho, e que volumes adicionais do Iraque podem ser canalizados para o Mediterrâneo. Mas, como lembra a própria consultoria, aumentar a oferta não é um gesto instantâneo: há limites técnicos e logísticos — e abrir mais a torneira nem sempre é possível sem risco operacional.

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Diante da escalada, na quarta-feira 11 de março, 32 países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) anunciaram a liberação conjunta de 400 milhões de barris das reservas estratégicas — mais do que o dobro do recorde anterior, registrado após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Ainda assim, esse volume representa apenas cerca de quatro dias do consumo mundial. Como metáfora, é um curativo sobre uma ferida profunda.

Do lado da sociedade civil e de movimentos ambientais, cresce a cobrança por responsabilidade. Fanny Petitbon, ativista ligada à organização 350.org, afirma que, se os países do G7 realmente desejam estabilizar o mercado, devem parar de proteger os lucros das petrolíferas e começar a taxar os extraprofitos gerados por quem alimenta a crise climática. "Não podem ser os trabalhadores a pagar a conta enquanto as grandes companhias transformam a guerra em sorteio financeiro", diz ela.

Como presidente rotativo do G7, o governo francês vê-se diante de um desafio que é também uma escolha de futuro: enfrentar o ‘elefante na sala’ e acelerar a transição para fora dos combustíveis fósseis. Nas palavras que agora ecoam além dos corredores diplomáticos, trata-se de não apenas responder aos sintomas — preços altos e oferta apertada —, mas semear políticas que iluminem um horizonte límpido de segurança energética e justiça social.

A alternativa passiva, que permite aos lucros extraordinários crescerem em meio à instabilidade, não é sustentável. Medidas como impostos sobre ganho inesperado, maior transparência em operações e um compromisso renovado com fontes renováveis podem cortar o nó górdio entre geopolítica e mercado, e cultivar um legado mais justo para as próximas décadas. É hora de iluminar novos caminhos onde a energia sirva ao bem comum, não apenas ao balanço de resultados.

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