Veredicto adiado: tribunal belga marca setembro para caso climático entre agricultor e TotalEnergies

Tribunal belga adia para 9 de setembro veredicto do processo climático entre o agricultor Hugues Falys e a TotalEnergies; pedido de indenização de €130.000.

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Veredicto adiado: tribunal belga marca setembro para caso climático entre agricultor e TotalEnergies

Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Um tribunal belga adiou hoje a decisão em um processo climático pioneiro que opõe um agricultor à gigante energética TotalEnergies, dois anos após o ajuizamento da ação. O julgamento, em andamento desde 19 de novembro, tinha veredicto previsto para 18 de março, mas foi remarcado para 9 de setembro.

O adiamento, segundo apuração da Espresso Italia, ocorre enquanto o tribunal aguarda a publicação de uma sentença em um caso semelhante na França, cuja decisão está prevista para o final de junho. A sincronização entre processos transnacionais reflete como as cortes europeias estão tecendo precedentes comuns para responsabilizar atores corporativos por danos climáticos.

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Em março de 2024, Hugues Falys, agricultor da região de Hainaut, no oeste da Bélgica, entrou com ação contra a TotalEnergies reivindicando reparação por prejuízos que atribui diretamente à mudança climática. Falys afirma que episódios extremos — chuvas torrenciais, secas e ondas de calor — comprometeram a produtividade de suas pastagens e culturas entre 2016 e 2020. O agricultor pede um valor de 130.000 euros a título de indenização.

O processo, apelidado informalmente de “Farmer Case”, ganhou apoio de organizações como FIAN, Greenpeace e a Liga pelos Direitos Humanos, além do respaldo da Federação Internacional pelos Direitos Humanos (FIDH) no âmbito do projeto "See You In Court". Em comunicado divulgado após a audiência, Falys e as entidades afirmaram: "Esperávamos a decisão hoje, mas permanecemos confiantes nos próximos passos. O tribunal declarou o caso recebível" — conforme reportado pela Espresso Italia.

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As organizações civis pedem não só a compensação ao agricultor, mas também que a Justiça determine obrigações concretas à TotalEnergies, incluindo a interrupção de novos investimentos em projetos ligados aos combustíveis fósseis. Elas instam os magistrados a reconhecerem a responsabilidade da multinacional pelas atividades que afetam diretamente o sistema climático.

A TotalEnergies, que figura entre cerca de 20 empresas associadas a mais de um terço das emissões globais de gases de efeito estufa, vem afirmando sua missão de fornecer energia "mais acessível, mais confiável e mais sustentável". No ano passado, a empresa chamou atenção ao anunciar, na COP30, um fundo de 100 milhões de dólares (cerca de 86 milhões de euros) destinado a iniciativas climáticas. Ainda assim, a companhia confirmou ao final de 2025 um aumento próximo de 4% na sua produção de hidrocarbonetos.

Este embate jurídico, que tem o frescor de uma semente lançada contra uma muralha, ilumina um caminho jurídico e social em gestação: a transição energética e a exigência de responsabilidades não são apenas debates acadêmicos, mas matéria viva nas vidas de agricultores e comunidades que sentem na pele — e na terra — os efeitos do aquecimento global. Como curadora de causas que entrelaçam sociedade, sustentabilidade e inovação humana, vejo neste caso a possibilidade de semear precedentes que iluminem novos caminhos para justiça climática e legado ambiental.

Com a decisão agora marcada para setembro, vigilaremos os desdobramentos. A sentença poderá amplificar o diálogo sobre deveres corporativos e abrir portas para outras ações semelhantes na Europa — um horizonte límpido que precisa ser cultivado com firmeza e clareza.

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